Capítulo 89

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Capítulo 89

Brooke

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    Eco. É tudo que escuto deitada no colchão desse quarto. Disse várias vezes à mim mesma que não choraria pelo que aconteceu, que não pensaria sobre isso e que deletaria Chuck da minha vida para sempre. Rápido e eficaz. Entretanto o eco é imenso e na imensidão cabem muitas lembranças. Fecho meus olhos deixando algumas lágrimas rolarem e de olhos fechados, tudo que já vivemos, todas as nossas lembranças; são mais nítidas, claras e vividas. Principalmente seu sorriso. Me lembro da gente no provador testando aquelas fantasias, lembro do nosso primeiro esbarrão e como foi desabafar pela primeira vez com alguém sobre a minha tatuagem, sobre o meu passado. Me lembro que pela primeira vez em muito tempo, o aperto no meu peito diminuiu por algum motiv... Na verdade, "a exceção", sempre foi esse o motivo, porquê Chuck era a minha exceção. Ele foi o único desvio das minhas regras, foi o meu único quebra padrões que ousei acompanhar, foi o único que me fez querer saber mais a respeito de si e também foi o único que me fez imaginar mais... Querer mais. A verdade é que Chuck sempre foi muito, enquanto eu sempre quis ser pouco. Sinto mais lágrimas escorrerem e lembro da segurança que sentia com ele, da confiança que consegui ter com outra pessoa além de mim mesma e lembro também de como tudo parecia extremamente certo quando estava com Chuck, não importasse o quão idiota era o que estávamos fazendo. Porque no fim do dia, ele era a única pessoa que eu realmente esperava encontrar ao meu lado. Lembro dele falando aquele monte de palavras que qualquer pessoa sonha em escutar e por fim as apagando com uma garota qualquer no seu quarto.

     Nego com a cabeça, não vou ficar me estilhaçando por ter pensando que nós daríamos mesmo certo. No fim, algo lá dentro de mim, já suspeitava que eu estava feliz demais. Levo minhas mãos até o rosto e tento seca-lo. O universo tem um tipo de humor perverso comigo... Algo como; Nunca esteja feliz e tudo dará certo. "Mantenha o foco" sempre foi nessas únicas três palavras que trabalhei em cima a vida toda e mesmo assim, agora, elas parecem tão distantes que não sei se consigo alcançá-las novamente. O tecido da luva nova que comprei antes de vir para cá, enxuga as lágrimas que trilham minhas bochechas sem permissão e seu cheiro de roupa nova me enjoa. Na verdade, tudo me enjoa... Pensar em Riston me enjoa, lembrar que infelizmente estudamos na mesma universidade me enjoa, reprisar todas as risadas que já demos juntos me enjoa, imaginar como será a final do concurso de arte me enjoa. Respiro fundo e abro os olhos. O céu já escureceu há um tempo atrás, o que significa que Riston já deve ter mandando seja quem for que estava com ele; embora. Ou não. Talvez ele tenha feito isso para que não precise dizer a palavra; "acabou". Porque era óbvio que um dia acabaria. Afinal, bombas nucleares em algum momento explodem e é impossível sair ileso da explosão delas. Esperto foi ele em levar tudo na mais absoluta descontração. Chuck jogou um jogo onde só ele movimentava as peças e mentalmente o aplaudo por ter me convencido tão fácil que éramos para ser. Riston fez parecer que era certo, que me queria assim como... Eu o queria. Chuck foi como a colisão de um meteoro; rápido, quente e certeiro. Destruiu, devastou e abriu caminho sem ser convidado, derrubou barreiras e mesmo assim, logo depois, todos por voltam o aplaudiram por ter escolhido como destino a terra. No meu caso, a terra devastada na verdade se chama; coração.

Uma raiva cresce no meu estômago e após um lutar breve com o novo tecido por volta da minha mão direita, consigo tirá-lo e o jogo com força na parede. Espero por algum estrondo alto, mas panos não fazem barulho. Mesmo com a visão turva de lágrimas, encaro os traços escuro da tatuagem na minha mão e uma raiva passada se mistura com a presente. Meus olhos começam a arderem, enquanto produzem a todo vapor mais e mais lágrimas, entretanto, dessa vez não permito que escorram. Passo as mãos nos olhos e me sento. Ficar aqui chorando é idiotice. A ideia de deixar tudo que era meu de lado e comprar roupas e itens novos — afinal eu estava precisando e acho que se juntasse alguns meses desse meu novo salário; conseguiria — se vai. Me levanto do colchão que range em protesto e caminho em direção à saída desse hotel de quinta categoria. Não vou deixar minhas coisas lá, não quando o pensamento dele comendo outra apoiada no meu cavalete, que está comigo desde que vim para cá, me ocorre. No entanto, no instante em que coloco a mão sobre a maçaneta da porta de saída do quarto, um medo passado me assombra e rodeia novamente. Encarando os ossos tatuados na minha pele; respiro fundo, buscando por ar, que como suspeitava não consigo recuperar totalmente. Não quando Chuck conseguiu modificar até o meu respirar. Olho sobre os ombros, na direção onde arremessei a luva e fecho os olhos com força.

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