Capítulo 6
Chuck
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A droga da lanchonete do campus não abre 24 horas e isso me fez sair por aí procurando qualquer buraco que servisse algo para comer às 4am. Não estava nos meus planos virar a noite, mas acabei envolvido demais com o remix e quando fui ver; o céu já faltava pouco para amanhecer. Sem um pingo de sono e muita fome, resolvi sair do campus à procura de comida. Quando a placa com a iluminação falhada dessa lanchonete me chamou a atenção, estacionei o carro e entrei não fazendo ideia que encontraria justamente a garota, que não saiu da minha cabeça a noite inteira. Confesso que faço um esforço sobre-humano para não rir dela nesse uniforme. Já que o que era para ser um uniforme "sério" mais parece aquelas fantasias sexuais de tão pequena que é, exclusivamente a saia e correr olhar na bunda e pernas dela, enquanto a mesma se inclina sobre o balcão, é algo inevitável. Observo cada centímetro do seu corpo de costas e demoro um pouco nos contornos — bem modelados — da bunda dela. Brooke até que é bem gostosa, confesso.
Brooke. Seu nome no mini crachá foi a primeira coisa que percebi quando a princesa se virou assim que cheguei. Não posso mentir dizendo que não gostei, porque mesmo sem conhecê-la, acho que combina com seu rosto. Fora que a pronúncia é até que sexual. A dona do nome que não paro de repetir mentalmente se vira com um bolinho e vem até minha mesa. Brooke coloca uma mecha do seu cabelo para trás da orelha e joga — literalmente joga — o prato sobre a mesa. Ergo uma de minhas sobrancelhas caindo olhar no bolinho que está a um passo de cair da louça por causa da aterrissagem turbulenta na mesa e logo em seguida volto a olhá-la nos olhos. Brooke levanta novamente a droga da cabeça, como se me desafiasse e isso me faz travar o maxilar. Uma vontade louca de mandá-la se foder me invade, mas por alguma razão, se vai tão rápido quanto veio. Ela quer isso, a princesa quer me desafiar e ver até onde consegue ir em uma discussão com Chuck Riston... Mal ela sabe que eu tenho a fama de queimar tudo que entra em meu caminho.
— Brava por que? Te recusaram? — sorriu de lado — Acontece até com os melhores — complemento minha provocação e Brooke ri sem humor.
— Pode apostar Mimado, quando começo, ninguém... — ela bate com as duas mãos na madeira da mesa, se inclinando — Repetindo, ninguém me recusa — Brooke espreme seus olhos negros para mim novamente, coisa que ela tem feito muito nas únicas vezes em que nos encontramos.
— Está se dando muito crédito Princesa, você é bonita, mas não é única — contra-ataco sem tirar meu sorriso do rosto e percebo o seu vacilar por um segundo, o que por alguma razão me faz querer voltar atrás?
Que merda está acontecendo comigo? Nunca, nunca mesmo quis voltar atrás em algo que falo, seja pra homem, mulher ou animal. Pouco me importa se eles vão chorar por escutar verdades ou não. No entanto, essa merda de incômodo arde na minha garganta e me irrito com isso.
— Está falando como se fosse o cúmulo da beleza não é mesmo? Se poupe, se eu sair por essa porta, encontro sete iguaizinhos a você; mimadinhos de merda, que se acham porque os papais ainda pagam as cuecas que vestem — Brooke parece estar mais brava agora e seus olhos estão tão espremidos que me pergunto se não estão fechados.
A fito em silêncio por alguns instantes. Ainda não entendi o fato dela me chamar de "mimado", às vezes que Brooke havia me chamado de "topeira" dava para se entender o porquê, já mimado? Que porra de xingamento é esse? Meus olhos por puro costume, acabam caindo no seu breve decote e antes que eu pudesse descobrir qual era a cor do seu sutiã, algo estala em meu rosto. Subo olhar para os seus novamente e então percebo o que acabou de acontecer. Brooke, a Princesa da boca suja, a estranha que anda colada nas paredes, acaba de me acertar um tapa? No rosto?
— Quer encarar peitos saia daqui e vá a uma boate, Mimado pervertido — Brooke rosna e se ajeita, parando de ficar sobre a mesa, seus braços se cruzam e minhas sobrancelhas se unem, quando enfim termino de processar o que acabará de acontecer.
Nunca levei um tapa de uma mulher antes. Já fui xingado de diversas coisas por encarar a bunda de certas garotas, mas levar um tapa? Na cara ainda? Nem mesmo a chata da namorada do Gibson fez. Metade de mim quer segurar seu pulso e lhe dizer que se ela encostar em mim novamente está encrencada, mas a outra parte apenas... Concorda com a Princesa da boca suja? Que porra está havendo comigo?
— São 8 dólares — Brooke me tira dos meus pensamentos e aponta com o queixo para o bolinho.
Respiro fundo e pego a carteira do bolso, vasculho e retiro uma nota de 50.
— Pode ficar com o troco — resmungo e faço menção de entregá-la a nota, no entanto minha mão fica segurando a nota no ar.
Minhas sobrancelhas se unem e transfiro minha atenção para Brooke, que mantém seus braços cruzados ao redor do seu corpo.
— Não quero seu dinheiro, apenas me dê uma nota de 10, que sei que tem, será mais fácil ter troco — praticamente respiro fundo a cada palavra que deixa seus lábios carnudos.
— Fala sério porra? Estou tentando ser legal aqui — resmungo e rosno ao mesmo tempo, enquanto Brooke da de ombros.
— Não pedi para ser legal comigo, Mimado — a morena pega minha carteira de cima da mesa e minhas sobrancelhas se unem, de novo.
Brooke, como se fizesse aquilo todos os dias; retira uma nota de dentro e joga o couro sobre a mesa novamente, como fez com o prato, sem cuidado algum. Respiro fundo para não explodir com ela e a mesma se vira, se afastando da mesa. A acompanhando com o olhar e internamente choramingo quando Brooke decide dar a volta no balcão dessa vez, me impossibilitando de admirar seu traseiro, de novo. Em minutos a princesa retorna para minha mesa e ao devolver o troco, percebo que ela ainda está usando a luva preta em apenas uma das mãos. A curiosidade me corrói por dentro e subo minha atenção lentamente, até parar em seu rosto.
— Por que da luva? — pergunto como se tivéssemos intimidade o suficiente e em resposta recebo outro de seus sorrisos sem humor.
Por mais que seja claramente contra a sua vontade, ela sorrindo daquela forma, a deixa bonita, seus lábios entreabertos são atrativos.
— Só uma pergunta... — Brooke vira sua cabeça de leve para o lado — Não percebeu que seja lá o que você quer, não vai rolar? — sua pergunta soa sarcástica e sorriu de lado.
— E quem disse que quero algo, Princesa? — penso em chamá-la por seu nome, mas queria ver seu espremer de olhos novamente e como pensei que ela faria, Brooke faz.
— Mimado — Brooke mantém seus olhos semicerrados.
— Boca suja — sorriu de lado.
— Topeira — resmunga ela.
— Princesa — a envio uma piscadela, para a provocar mais ainda.
— O que raios está acontecendo aqui? — uma terceira voz interrompe nosso momento, fazendo com que a morena à minha frente pisque algumas vezes.
— Gina... — Brooke transfere sua atenção no mesmo segundo para a mulher com a pior maquiagem que já vi no rosto de alguém na vida e sua voz soa tão baixa que mesmo ela estando à minha frente, quase não a escuto.
— Por que estava chamando o cliente de... Topeira? — a mulher mais velha faz uma careta confusa e irritada ao mesmo tempo, o que significa que a Princesa da boca suja está encrencada.
Com um sorriso mais do que satisfeito, volto a encarar Brooke, porém no segundo em que meus olhos param em seu rosto, meu sorriso some. Brooke está com um semblante apavorado e tenho quase certeza que ela está em uma coloração branca anormal, estilo aqueles filmes merdas de terror, em que a assombração só tem esse título por ter a face cheia de trigo ou maquiagem, tanto faz. Aquela merda de sensação esquisita volta a amargar minha garganta. Ela não vai ser demitida por isso vai? E se for, ela gosta tanto assim dessa merda de emprego?
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Talvez Desconhecidos
Romance🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
