Capítulo 72
Brooke
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Deixo a lanchonete com o cara estranho, qual sequer sei seu nome, mas acabei de aceitar trabalhar pra si, me seguindo e ainda sinto a raiva borbulhando no meu estômago. Gina não discutiu comigo, ela apenas me mandou sair... Queria que ela tivesse discutido. Paro no meio do estacionamento e respiro fundo, tentando colocar meus pensamentos em ordem. Escuto o cara parando alguns passos atrás de mim e a ficha de que acabei de aceitar trabalhar para um estranho me cai... Não que eu nunca tenha feito isso. Até porque não foi Gina quem me contratou e sim seu marido, então esse cara parado comigo, dentre os carros, será só mais um que eu aceitarei trabalhar sem saber sobre seu caráter. Me viro para encara-lo, com suas mãos despreocupadamente dentro dos bolsos da sua calça social. Cuidar de uma criancinha algumas horas e ganhar praticamente o salário que eu ganhava trabalhando uma semana nessa lanchonete? Por que sinto que tem um "porém" escondido em algum lugar?
— Se quiser voltar atrás, tudo bem — o homem à minha frente assegura e me encara estranhamente.
Ainda não aceitei completamente que ele sabe o turno das minhas aulas e a minha idade, apenas por ser reparador em um nível extremo, entretanto... Preciso do dinheiro.
— 100 dólares para cuidar de uma criança... — espremo meus olhos — Por que? — o questiono séria o suficiente para que ele entenda que não estou tão certa da sua proposta e também não estou para brincadeirinhas.
— Trabalho na administração de empresas e sei que você precisará retirar do seu salário para a locomoção, refeição e proteção, fora suas necessidades diárias, vestimentas... 100 dólares não é muita coisa hoje em dia — sua certeza e despreocupação ao me responder, me fazem erguer de leve as sobrancelhas.
Uau. Ok. O cara acabou mesmo de dizer que 100 dólares por hora não é muita coisa? Ou estou escutando coisas? Acabo rindo mentalmente de mim mesma, por me lembrar que nem todo mundo tem o pé afundado na merda, como eu tenho. Talvez ele tenha razão. Levar uma vida "melhor" da que vivo, deve ser simples assim; "100 dólares não é muita coisa hoje em dia". Eca, o que estou pensando? Meu avô sempre se matou a trabalhar e mesmo assim nunca ganhou 100 dólares por hora. Fora que minha vida melhoraria e muito se eu ganhasse essa quantia toda semana, 365 dias por ano. Esse cara deve viver em algum tipo de mundo luxuoso com; carros extremamente caros, roupas de grife, empregados, que ele mantém com um pouquinho dos milhões que recebe por trabalhar administrando empresas. Empresas, no plural. Suas vestimentas e sua forma de agir e falar confirma o que penso. Ele é aquele tipo de pessoa, que já deve ter nascido com sorte. No entanto, uma dúvida me consome; se o cara tem tando dinheiro assim... Por que raios ele vem comer nessa lanchonete? Pessoas como ele, sequer deveriam estar nessas ruas.
— Você pode pensar, não quero a induzir aceitar o emprego agora, no entanto... — seus olhos descem para minhas roupas causais, porém comparada as suas; não passam de peças maltrapilhas — Acho que você faria bom proveito do dinheiro — seus olhos voltam a encarar os meus e acabo rindo com o nariz. Ele acaba de dizer que preciso comprar roupas novas? Ou estou delirando?
— Não sei em qual mundo você vive, mas o que eu vivo, essas roupas... — aponto para a blusa soltinha com estampa militar que estou usando — São extremamente normais — controlo minha vontade de explodir com o cara.
— Certo — ele confirma com a cabeça e retira algo do bolso; sua carteira — Se mudar de ideia, esse é o meu número — o cara estende um cartão preto na minha direção, porém não o pego.
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Talvez Desconhecidos
Romance🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
