Capítulo 32

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Capítulo 32

Brooke

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Estou atendendo a — que era pra ser — última mesa do meu turno, quando o sino na entrada da lanchonete tilinta. Viro o rosto, apenas para respirar fundo ao ver Chuck Riston, me encarando, parado na entrada da lanchonete. Faz três dias desde a última vez em que nos vimos e que esse mimado quis impor ordens no apartamento em que eu e Oen moramos. Fora claro, que me xingou de ingrata. Ainda sinto vontade de jogá-lo uma pedra, toda vez em que me lembro dele insinuando, que por ser legal comigo, eu lhe devo algo. Aperto com força a nota de cinco dólares na minha mão e o cara que eu estava atendendo faz uma careta estranha para mim, como se eu tivesse três olhos. Respiro fundo para manter a calma e ignoro Chuck, indo até o balcão aonde Gina estava. A entrego o dinheiro e começo a desamarrar o mini avental.

— Terminei por essa noite — resmungo sem ânimo algum. A noite que já estava péssima, acaba de piorar com uma certa presença.

— Percebi — Gina me responde subindo e descendo uma de suas sobrancelhas ao mesmo tempo em que faz sinal com a cabeça na direção de Chuck.

   Eca, ela ainda pensa que estamos mesmo juntos. Tento reunir forças para dizer que tudo aquilo, nós, não passávamos de uma piadinha de mal gosto e que pra falar a verdade, quero meu nome B-E-M longe do de Chuck, mas estou exausta. Não tive tempo para dormir entre o intervalo do meu último turno na lanchonete e o turno seguinte, pois fiquei fazendo dois trabalhos, logo em seguida veio as aulas e acabou que o único momento em que fechei os olhos, foi; quando me sentei no banco afastado no campus e meu breve e precioso instante de relaxamento durou só 10 minutos, já que um maldito pombo teve a audácia de voar sobre meu corpo morto, como um urubu e acabou despejando suas fezes na minha coxa. Espero que coco de pombo saia da roupa, isso é, se foi mesmo um pombo que estava me rodeando, talvez tenha sido um urubu no fim. No meu estado sem dormir, sou facilmente confundida com um cadáver. Então apenas acabo rindo com o nariz, sem humor algum e espero o pagamento dessa noite. Gina me paga 15 dólares a menos e quando ela percebe minhas sobrancelhas juntas, a dona desse estabelecimento da de ombros e resmunga um; "O movimento de hoje foi muito baixo". Novamente quero rir sem humor e dizê-la que estou pouco me fudendo se essa espelunca não bateu o que ela esperava essa noite de lucro, mas apenas aperto as poucas notas na mão, aceitando quieta novamente e me viro indo em direção a saída dessa lanchonete, antes que eu faça algo que irei me arrepender.

— Princesa — Chuck tenta chamar a minha atenção e sua mão chega a vir ao meu encontro, mas o ignoro e desvio do seu toque.

Não estou com saco para ele hoje. Deixo a lanchonete e o frio da madrugada me envolve, xingo baixo por ter esquecido novamente de ter trazido um casaco e me abraço. Escuto passos fortes atrás de mim e sei que pertencem à Chuck, então nem faço questão de olhar para trás, apenas sigo o caminho para meu apartamento. Sim, pensei em Chuck nesses três dias. Não necessariamente em todos eles, até porque minha agenda cheia me impede, mas ontem me perguntei o que Chuck Riston estaria fazendo, quando fui iniciar meu trabalho e acabei abrindo o caderno em que eu havia desenhado seu rosto. Estaria mentindo se dissesse que não dei bola ao desenho. Com a ponta dos dedos, contornei meus e seus traços um por um, porque o desenho foi eu quem fiz, mas o rosto era de Chuck.

— Alguém já disse, o quão garota de programa você fica nesse uniforme? — a voz de Riston me tira dos meus pensamentos e quando raciocínio o que ele acabará de dizer; respiro fundo.

Pra falar a verdade já. Milhares de vezes, praticamente todas as noites, com velhos e jovens nesse estabelecimento, mas não quero dar trela para Chuck. O mimado pode achar que estou o iludindo de novo, mesmo eu tendo o avisado que nada aconteceria entre a gente.

Talvez DesconhecidosOnde histórias criam vida. Descubra agora