Capítulo 48

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Capítulo 48

Chuck

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   Enquanto arrumo o novo buquê de flores no vaso do quarto de Cathryn destinado exclusivamente para as flores que ela recebe, observo minha mãe e minha irmã tentarem conversar com Brooke. Está nítido o nervosismo da princesa em dar as respostas às inúmeras perguntas que as duas estão a fazendo, no entanto não quero interferir. Retiro as flores do vaso — com praticamente todos os botões mortos — e coloco o novo buquê no lugar.

— O que você cursa, querida? — escuto minha mãe perguntar à Brooke e as observo.

— Artes — sua resposta soa acompanhada de um sorriso forçado.

— Que incrível! O mundo precisa mesmo de mais cores — minha mãe elogia e Brooke concorda com a cabeça.

— Eu também vou fazer faculdade de artes — Cathryn intervém — Você sabe, só depois que o maldito câncer for embora — seus olhos se reviram e tenho que me controlar para não respirar fundo.

        2 meses. 61 dias. Essa é a contagem de tempo em que minha irmã está presa nessa porra de quarto. Óbvio que havia a opção de fazer o tratamento com os novos remédios experimentais em casa, no entanto, quando tentamos isso; Cathryn teve uma reação muito negativa. Me lembro como se fosse ontem; meu celular tocou de madrugada e quando o atendi, meu pai chorava e gritava, enquanto me dizia que Cathryn havia sofrido uma convulsão feia em resposta ao novo remédio que estavam testando. Desde então, minha mãe decidiu continuar com o tratamento dela aqui, na porra do hospital. Que mesmo que haja esses desenhos tão... Cathryn nas paredes, as colchas da maca com estampas na cor preferida dela, suas roupas, seus ursinhos pelo quarto inteiro; o cheiro ainda é o mesmo. Cheiro de hospital. Nada parece lembrar de casa aqui. E escuta-lá fazer menção de sair dessa droga, me faz querer socar qualquer coisa, porque, de alguma forma sei que ela não vai.

— Você será uma artista incrível Cathryn, seus desenhos... — Brooke olha para as milhares de folhas rabiscadas na parede a cima da maca de Cathryn — São únicos — acompanho o olhar de Brooke para os desenhos e me perco neles.

       Os desenhos foram um hábito que criamos devido ao tédio que é ficar nessa porra de hospital. As flores vieram logo depois. Começou com uma folha que minha mãe havia anotado alguns itens pessoais, para que eu passasse em casa e pedisse para meu pai trazer. Quando eu e ele chegamos, tentei animar uma Cathryn com medo, desenhando um boneco na breve lista, para dizer que era ela. Me lembro que acrescentei nariz de bruxa com direito a verruga e tudo. Cathryn rindo e ao mesmo tempo indignada, pegou a caneta da minha mão e começou a me desenhar — com muito mais talento, claro — com um nariz de palhaço no mesmo papel. Os desenhos brincalhões passaram então a encher a parede, um mais hilário que o outro... Como por exemplo o desenho que Cathryn fez de um dragão com a cabeça de nosso pai. Ou o Harry Potter com peitos grandes e de biquíni, tomando sol em uma praia. Cathryn é mestre em desenhar rostos.

— Obrigada! Por que você usa luva em uma mão só? — Cathryn questiona sem ligar para se seria uma pergunta invasiva ou não e faz sinal com a cabeça para a mão direita de Brooke, encoberta pela luva.

— Filha — nossa mãe tenta advertir Cathryn, porém minha irmã só ri.

— Tudo bem senhora, Riston — Brooke assegura e nunca a vi tão "calma" antes, ainda mais quando o assunto é aquela luva...

— Ah não, me chame de Ana por favor, senhora só quando eu tiver netinhos — minha mãe brinca e Brooke concorda com a cabeça umedecendo os lábios.

Talvez DesconhecidosOnde histórias criam vida. Descubra agora