Capítulo 11

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Capítulo 11

Brooke

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    Acho, na verdade, tenho quase 99% de certeza que nunca cochilei tão bem, quanto nas poucas horas que consegui desligar meu corpo na cama perfeita de Chuck. Foi um sono tranquilo e não houve dores nas costas quando me levantei. Quase não deixei seu quarto. Por um momento pensei em apenas me jogar novamente no lençol macio e fingir não existir por um dia. No entanto, a consciência me bateu e tive que me obrigar a deixar o paraíso em forma de colchão. Deixo à fraternidade praticamente na ponta dos pés, desejando não ter que participar de outra cena como aquela entre Gretta e Chuck. Apesar de estar sem nada nas mãos, sem ser a minha camisa de uniforme, participo das aulas e agradeço mentalmente, ao lembrar que na minha grade de horários de hoje, não haveria aulas práticas. Ignoro os olhares que recebo, por estar usando a saia do uniforme da lanchonete vermelha com a blusa larga e preta de Chuck, até porque não tive escolha; a blusa do uniforme do restaurante aperta meus seios demais e se eu me torturasse ao ponto de ficar um dia inteiro a usando, com toda certeza na manhã seguinte, meus mamilos teriam entrado para dentro, de tão esmagados que ficariam. As aulas voam e o dia é só mais outro para se riscar do calendário. Não digo que não procurei por Chuck, enquanto trilhava meus caminhos entre as aulas e seus intervalos, porque eu realmente, por algum motivo, procurei seu cabelo bagunçado de uma forma sexy no meio das pessoas, mas não tive sorte. Mentalmente digo que é porque ele disse que iria sair então... É isso; Chuck Riston deve estar pegando alguém fora do campus. Quero me socar por me sentir mal pensando nele com outra garota, porque no fim; quem se importa? Não somos amigos, nem sequer conhecidos. Total desconhecidos. Apenas sabemos o nome um do outro. E claro eu dormi na sua cama.

*

Oen me repreende por não ter lhe dito que passaria o dia inteiro fora, pois segundo ele; havia ficado preocupado e como não há nenhum meio para se comunicar comigo, ele já estava ao ponto de ir à delegacia. Oen é um fofo. Não discuto, pois aprecio sua preocupação e sei que se acontecesse o contrário e ele quem tivesse sumido, sem dizer nada, eu também estaria furiosa; 1) porque somos amigos e 2) porque se ele sumisse, eu teria que pagar o aluguel dessa espelunca sozinha. Coisa que definitivamente não conseguiria fazer. No entanto, diferente de mim que não tem nenhum tipo de aparelho eletrônico, Oen tem celular, contas em redes sociais e tudo mais, então acho que seria mais fácil acha-lo e descobrir se o pilantra havia fugido sem pagar o aluguel, ou só estava dormindo na cama de um jogador gostoso. Depois de lhe assegurar que estava tudo bem, Oen se tranca em seu — e único —quarto. Aproveito o momento a sós, para tirar a blusa de Chuck e a saia do uniforme da lanchonete, que dentro de alguns minutos terei que vesti-la novamente. Só de pensar nisso minhas coxas já choramingam... Ficar uma madrugada inteira, depois um dia inteiro e por fim andar 20 minutos de saia até aqui; não é para qualquer um. Entro no banheiro mega apertado desse apartamento e após me despir, entro embaixo do jato de água morna. Deixo que a água leve todas as distrações do dia, como o polegar de Chuck acariciando meu mamilo e seus olhos passeando meu corpo como fogo, para me concentrar em não repetir isso novamente... Meu cérebro tira sarro de mim mesma, ao me lembrar que lhe devo uma festa, então nossas interações — ainda — não estão perto de terminarem. Droga por que mesmo Gina teve que aparecer na lanchonete, justo naquele momento? Após terminar o banho, opto por só hoje e apenas hoje, ir trabalhar vestindo uma legging confortável. Não dispenso a blusa da lanchonete, nem mesmo a plaquinha e após vestir minha luva na mão direita; caminho até a cozinha, a fim de comer o que quer que tenha na geladeira. Devoro em menos de 5 minutos um pouco de cereal com leite, quando percebo que enrolei demais no banho, tentando tirar Chuck Riston dos meus pensamentos. Depois de pegar a chave do apartamento e fechar a porta ao sair, desço as escadas de ferro com pressa, fazendo um barulho que faz com que os vizinhos reclamem. Resmungo um; "Vão chupar uma rola" para as pessoas que apesar de morarem embaixo e em cima do nosso apartamento a mais de um ano, nunca nem sequer vi seus rostos, só ouço seus gemidos.

O caminho até a lanchonete de Gina é tão monótono, quanto o dia no campus. Finjo não perceber o olhar de reprovação no rosto da dona, quando chego ao meu local de trabalho e já parto para pegar o bloquinho sobre o balcão, em seguida começo a atender as mesas, que ainda não tinham sido atendidas. Desde as 8pm até mais ou menos 3am — que é o meu horário de trabalho aqui na lanchonete — há movimento, mas por volta das 3:39 já não há mais uma alma viva na lanchonete, então Gina me dispensa. Enquanto espero meu pagamento da noite, tenho a impressão que na verdade Gina só quer que eu vá logo, para que mais clientes não me vejam com a calça que estou usando. Reviro os olhos mentalmente para a mulher e quando ela me entrega o dinheiro da noite; a agradeço. Confesso que deixo a lanchonete levemente chateada, porque por alguma razão; tinha a impressão que Chuck viria essa madrugada novamente, mas ele não aparece.

Na rua me abraço por estar uma neblina fria e chata. Sempre me esqueço de trazer comigo a droga de um casaco. Quando estou de volta ao nosso apartamento, só consigo dormir três horas no máximo, antes do despertador sobre a mesinha de centro soar e eu me levantar e fazer tudo o que fiz na noite passada novamente; banho, vestir o uniforme e ir atender na lanchonete. Desta vez ao invés da legging, coloco a saia que assou minhas coxas e ignoro o incômodo. Encontro com Maggie, a "amiga" de Oen, quando estou descendo as escadas e a mesma está subindo, segurando uma caixa com os donuts preferidos de Oen. Sorriu para ela e a cumprimento com um mover de cabeça. Acho fofo essa ligação dos dois, apesar de achar levemente estranho eles se denominarem como "amigos", quando na verdade ficam se chupando quando não estou. Mas quem sou eu para falar? Nunca tive "amigos" e nem faço questão. Se quero ser chupada basta apenas escolher o desconhecido certo... Ou basta apenas ir em um certo quarto, em uma certa fraternidade e montar em um certo desconhecido.

O sininho da porta de entrada da lanchonete tilinta anunciando a minha chegada e percebo que — como sempre — a maioria das mesas já estão ocupadas com pessoas da mesma faixa etária que eu. Isso que da trabalhar em uma lanchonete, próximo à moradia dos milhares de estudantes, que não conseguiram pagar quartos dentro do campus. Gina não me dá os parabéns por estar com o uniforme completo dessa vez, nem me repreende por ter usado a calça na madrugada passada, a dona do estabelecimento só me entrega o bloco de anotações e pede para que eu atenda quatro mesas. Respiro fundo e começo a ir em direção à uma das mesas, que estavam esperando serem atendidas quando leio a caligrafia de Gina em um bilhete na primeira folha do bloquinho de notas;

"Seu namorado gostoso esteve aqui te procurando e disse que precisa falar com você" .

"Vê só? Não perderia uma noite de sexo com aquele homem, se usasse aparelho celular".

Seu bilhete me faz ao mesmo tempo pular de alegria por dentro — porque; Chuck realmente apareceu aqui — também me faz respirar profundamente por fora — porque; ele realmente apareceu aqui e "precisa falar comigo" — Droga. Penso em o que Chuck Riston possa querer tratar comigo, mas nada me vem à mente, no entanto se referindo à Chuck, tudo pode me surpreender, desde suas perguntas sem vergonha, até seus comentários e provocações.

— BROOKE! MEXA ESSAS PERNAS GAROTA! — a voz brava de Gina me tira dos meus próprios pensamentos e apesar de unir minhas sobrancelhas, não a respondo o que quero responder, até porque se eu lhe dissesse para; "deixar de ser tão amargurada e então quem sabe assim seu marido voltasse a transar com ela, a mesma não estaria tão estressada..." além de perder meu emprego, também estaria sendo hipócrita, pois desde que entrei nessa vida louca de emprego, faculdade, faculdade e emprego, nunca mais vi um pênis na vida.

Talvez DesconhecidosOnde histórias criam vida. Descubra agora