Capítulo 60
Chuck
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Acordo com o barulho do meu celular tocando em algum lugar. Junto minhas sobrancelhas sem sequer abrir os olhos, ao sentir um calor grudado ao meu corpo. Demoro para me lembrar de tudo que aconteceu na noite passada. De tudo que falei, de tudo que Brooke falou e de tudo que fizemos. O barulho do celular se cessa e forço meus olhos a se abrirem. Respiro fundo no segundo em que a figura de Brooke abraçada ao meu corpo, preenche por total meu campo de visão. Meus olhos passeiam por suas curvas e demoram nas duas montanhas que são suas bundas. Seu cabelo curto está bagunçado e ela parece estar em paz em seu sono. Esse mero detalhe me alivia. Pelo menos ela ainda está em paz. Começo a ficar ansioso pelo simples fato de que; "e se tudo que fizemos ontem, não passar do efeito colateral da bebida em seu sangue?". Ou melhor dizendo; no nosso sangue? Ainda não acredito que falei todas aquelas coisas melosas... Levo meu antebraço esquerdo até o rosto e cubro meus olhos, a fim de eliminar a claridade do quarto. Quero me levantar, no entanto não quero ter que me desvencilhar dela. Pela primeira porra de vez; a sensação de um corpo grudado — de todas as formas possíveis — ao meu, na manhã seguinte, após uma noite inteirinha de sexo não me deixa enjoado. Um sorriso malicioso nasce involuntariamente no meu rosto ao relembrar de algumas partes da noite passada. Aquela sensação de eficiência de quando conseguimos algo que estávamos buscando a muito tempo, ainda corre em cada centímetro do meu corpo. O barulho do celular volta a aparecer em algum lugar. Suspiro e afasto meu braço, olhando ao arredor, a procura do aparelho. Se ele continuar tocando assim irá acorda-la. Com uma breve raiva do toque infernal, liberto meu corpo do de Brooke, com cuidado para não acorda-la e quando enfim consigo me levantar, meus olhos admiram uma Brooke nua, com os cabelos esparramados sobre o colchão. Puxo o ar e sinto o começo de uma ereção. Como isso é possível? Eu estar excitado apenas a observando? O toque do aparelho reaparece e me faz unir as sobrancelhas, tendo que ignorar meu membro começando a criar vida própria.
Por que raios sempre fico excitado com qualquer coisa que envolva Brooke? Ela é gostosa pra caramba, mas é tão... Simples. É tão comum. Nego com a cabeça. Sei bem a resposta para essa pergunta e ela é tão óbvia quanto somar 2 + 2; gosto de Brooke pelo simples fato dela ser a... Brooke. Ao encontrá-la no chão, visto a cueca de ontem e dentre a breve bagunça do meu quarto, começo a procurar pelo celular. Após levantar algumas peças o encontro embaixo da calça que usei ontem no bar e no segundo em que leio "4 ligações perdidas de Mãe" prendo o ar. É uma merda, toda vez em que recebo uma ou dez ligações de minha mãe poder ser a chance do aviso que não quero ter. Do aviso que é inevitável, mas que também ainda é incerto. Rapidamente a retorno a ligação e no segundo em que ela atende a chamada, já sei que algo de ruim aconteceu apenas pelo falhar da sua respiração.
*
Bato a porta do carro e sequer me importo de tranca-lo. Corro em direção à entrada do hospital e ignoro a recepcionista velha, que sempre pega na porra do meu pé, por entrar e nunca pegar o ticket de visitante. Faço em um tempo recorde da recepção do hospital, até a sala de espera na ala infantil de leucemia. Encontro com meu pai apertando o osso de seu nariz, algo que ele faz sempre que quer chorar sem que ninguém veja, mas todos nós sabemos que ele está chorando quando faz aquela merda. Minha mãe sentada em uma das milhares de cadeiras; aperta um lenço que tenho certeza que pertence à Cathryn nas mãos. Minha garganta seca e meu coração se aperta ao me aproximar deles. Na ligação, minha mãe disse que Cathryn teve outra convulsão, no entanto mais forte que a da última vez. Enfermeiras pediram para que ela e meu pai saíssem do quarto e então desliguei. Me pergunto se algo de pior aconteceu no curto tempo entre o desligar daquela chamada e o meu chegar nessa sala. Foram tão poucos minutos, 15 no máximo, porém mesmo assim muita coisa acontece em 15 minutos. Pessoas nascem e pessoas morrem nesse curto período de tempo. Não... Não nada aconteceu... Minha mãe percebe minha presença e se levanta rapidamente, com os olhos cheios de lágrimas, me apertando em um abraço. Não... Nada aconteceu... Envolvo um braço em seu corpo tremendo por estar chorando e meu pai abaixa a mão, limpando seu rosto. Nos encaramos e o pergunto sem precisar pronunciar sequer uma palavra."Ela se foi?" O homem à minha frente nega com a cabeça tão brevemente, que aposto que passaria despercebido por qualquer outra pessoa. Fecho os olhos e deixo meus pulmões liberarem todo o ar que estavam guardando. Ela ainda não se foi. Aperto o braço ao redor do corpo de minha mãe e começo tentar acalma-lá, como sempre faço toda maldita vez que algo assim acontece. Incrível como há algumas horas atrás eu estava vivendo o melhor dia da minha vida e agora essa merda acontece. Não deveria estar surpreso... Viver é exatamente assim. Um segundo você está sorrindo e no próximo poderá estar chorando, tal como uma batida de uma música. Nunca se sabe quando o estrondo do refrão aparecerá.
*
Ficamos naquela porra de sala de espera por quase duas horas. Duas malditas horas de nervosismo, medo e angústia. Tanto eu, quanto meu pai tentava confortar minha mãe, mas nenhum de nós dois conseguia de fato acalma-la. Não a julgo, estou tão apavorado quanto, mas não demonstro. Apenas não consigo.
Quando uma enfermeira aparece para anunciar que Cathryn finalmente estava estabilizada, "bem" e acordada; minha mãe solta um suspiro alto. Sem que desse tempo de nós acalma-la, Anastácia Riston afasta a mão de meu pai e corre em direção ao quarto onde minha irmã estava. Encaro meu pai e ele respira fundo, colocando uma mão nas minhas costas, sussurrando um; "Vamos". Entramos no quarto e meus olhos encontram com uma Cathryn, lutando para fazer seus olhos ficarem abertos. Mesmo fazendo pouquíssimos dias após a última visita que fiz, ela parece estar ainda mais magra. Meu pai da a volta na maca e se coloca ao lado de minha mãe, a envolvendo com um braço. Nossa mãe chora e esconde seu rosto no peito dele, claramente tentando esconder sua reação de Cathryn e falhando miseravelmente. Bufo porque ela poderia deixar para chorar quando Cathryn estivesse dormindo. Chorar com ela acordada só a lembra da instabilidade que é sua vida e essa merda me irrita. Respiro fundo, tentando ignorar os soluços da nossa mãe e me aproximo de Cathy, segurando na sua mão pequena e gelada.
— Nos deu um belo de um susto, pequena Cathy — tento encontrar minha melhor voz, meu melhor sorriso para lhe oferecer, mas aposto que também falho.
— Você... — sua voz soa em um sussurro arranhado, como se até aquilo exigisse uma força imensa dela — Não me trouxe as flores, grande Chuck — seu lembrete humorado na medida do possível acompanhado por seu sorriso fraco, me faz rir com o nariz e fechar os olhos que estavam ardendo por conta das lágrimas não roladas.
Dentre todos os outros inúmeros motivos que tenho para admirar essa garota, o que mais se destaca é esse; ela consegue sorrir até mesmo depois de ter enfrentado seu pior momento.
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Talvez Desconhecidos
Romance🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
