Capítulo 41

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                                  Capítulo 41

                                        Chuck

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Seja lá o que a senhora Zaytter esteja falando com Brooke, seu semblante a denuncia que ela não está confortável com aquilo. Tento ignorar esse fator, mas algo dentro de mim borbulha em pensar que Rose está a assustando. Aposto com quem quiser que a senhora Zaytter está falando sobre casamentos, filhos e as porras todas que todas as pessoas pensam que temos o dever de começar a pensar ou fazer após a faculdade. Como se essa droga de vida se resumisse a estudar, casar, reproduzir, trabalhar e morrer. Aos poucos o sorriso deixa meu rosto e entrego a guitarra à Joey novamente, o dando a desculpa que preciso ir ao banheiro. Deixo o palco pulando de dois em dois degraus, até meus pés encontrarem com o chão e parto em direção as duas. Conforme vou me aproximando, Brooke me nota e me lança um pedido de socorro legendado em seus olhos. Aquilo por algum motivo me faz sorrir, é, a senhora Zaytter sabe ser inconveniente quando quer e gosto disso nela. Me coloco ao lado da melhor amiga de minha mãe e pouso uma mão no seu ombro. Rose desvia atenção de Brooke para mim, parando de falar seja lá sobre o que elas estavam falando e inicia outro assunto, envolvendo nós três, no entanto minha atenção continua em Brooke, que está mexendo nos fiapos da sua luva, tentando não se demonstrar estar nervosa. Uau, seja lá o que porra Rose disse à ela, a abalou.

— Sabe senhora Zaytter, eu fiquei de desenhar o rosto de Brooke — informo a melhor amiga de minha mãe e transfiro minha atenção para a mesma.

— Você? Querido, não me leve a mal, mas você é um péssimo desenhista — a senhora Zaytter pronuncia rindo com o nariz.

— Eu sei — acabo rindo e Brooke levanta a cabeça, revezando olhar entre nós.

— Acredita que uma vez Chuck chegou com um desenho na minha casa, dizendo que era pra mim e eu disse; "Que lindo cachorro, querido!" — Rose bate no ar — Era um retrato meu — sua revelação consegue arrancar uma breve risada dos lábios de Brooke, o que faz com que meu sorriso se amplie.

— Não posso fazer porra nenhuma, se meu talento é voltado para a música e pro campo — meus ombros sobem e descem, enquanto Rose enfim se levantava — E deixar garotas caídinhas, claro — acrescento inflando meu ego.

— Ah sim, claro, deixe só elas verem como você é após acordar cedo demais — senhora Zaytter olha para Brooke revirando os olhos — Ele é mal humorado que só — a mesma finge sussurrar, no entanto escuto cada palavra que deixa sua boca.

— É... Eu sei — Brooke acaba concordando, com um sorriso travesso no rosto.

— Como assim sabe? — questiono unindo de leve as sobrancelhas, porquê pelo que me lembro, não tratei Brooke mal no dia em que acordamos juntos no que ela chama de apartamento, espremidos naquele sofá, mesmo eu tendo todo o direito de ter acordado puto.

      Em resposta, a princesa sobe e desce seus ombros sorrindo sem mostrar os dentes. A senhora Zaytter ri por algum motivo e me abraça, antes de se virar e nos deixar "sozinhos". Desvio minha atenção para Brooke, que permanece sentada na cadeira de plástico. Me sento na cadeira que Rose estava antes e esfrego uma mão na outra sorrindo.

— Preparada pra ter o rosto transformado? — questiono erguendo uma das minhas sobrancelhas.

— Ah claro — Brooke ri claramente sem humor algum, enquanto chego minha cadeira para mais perto da sua.

Encaro os materiais que ela usou e pego um pincel qualquer, que ainda não havia sido manchado pelas tintas.

— Esse não... — Brooke choraminga e leva sua mão até a minha, deslizando seus dedos entre os meus, até que eu os abra e abandone o pincel. Meus olhos se transferem dos nossos dedos para o rosto de Brooke, ela umedece seus lábios carnudos e afasta sua mão segurando o pincel.

Talvez DesconhecidosOnde histórias criam vida. Descubra agora