Capítulo 93
Chuck
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Cathryn acordou... Mas preferia que ela tivesse continuado a dormir. Mais ou menos 5am, acordei com gritos. Primeiro pensei que tivessem sido parte do meu pesadelo, mas conforme eu despertava e eles ficavam cada vez mais reais, percebi que eles vinham de Cathryn. À princípio pensei que ela estava com dor, ou algo do tipo, mas logo percebi que ela gritava porque não estava nos reconhecendo e tentava desesperadamente arrancar tudo que estava ligado à ela, desde à remédios na veia, até o tubo que ela precisava pra respirar no seu nariz. O pavor refletido nos seus olhos foi horrível e tenho certeza que vou ter pesadelos com aquilo por um bom tempo. Algumas enfermeiras acabaram tendo que seda-la e depois de um tempo, o médico chegou no quarto dizendo que pelo estado agressivo do câncer no seu cérebro, era normal que aquilo acontecesse... Meu pai me o obrigou a sair do quarto, no instante em que respondi o médico com um; "Meu pau, que isso é normal". Porra, não era normal, nada do que venho vendo ela enfrentando é normal... Ela só tem a porra de 14 anos. Fiquei na lanchonete do hospital me forçando a comer, até o sanduíche sem gosto que pedi não existir mais. Retornei ao quarto e meu pai quem saiu pra comer, disse para minha mãe acompanha-lo, mas ela negou e disse que queria estar ali, caso Cathy acordasse assustada de novo. Não a contestei e apenas me sentei na poltrona, onde geralmente era ela quem ficava sentada, mas agora Anastácia permanece em pé, ao lado da maca de Cathryn segurando sua mão. Percebo que minha mãe ainda está chorando e me pergunto como ela consegue chorar, chorar e chorar?... Acabo desmaiando de sono, já que só havia dormido duas horas e quando acordo novamente; o céu já está claro. No outro lado do quarto, na cadeira de plástico que eu estava antes, meu pai está dormindo. Minha mãe não está mais ao lado de Cathryn e sim sentada no braço da poltrona, onde eu estava dormindo. Ela deve ter ficado cansada de ficar em pé.
— Por que a senhora não me acordou? Não ligo de ficar em pé — faço menção de me levantar, mas minha mãe nega com a cabeça e coloca sua mão na minha cabeça, me fazendo ficar no lugar que estou.
— Está tudo bem, querido — sua voz falha aponta o quanto ela está esgotada com toda a situação — Não iria te acordar para que eu me sentasse — sua mão no topo da minha cabeça começa a me presentear com um cafuné, igual como ela fazia quando eu não tinha pelo no saco ainda — Dormiu bem? — sua pergunta soa longe.
— Não — a respondo com sinceridade e juntos suspiramos.
— Logo, logo isso tudo vai passar — por mais que ela tente, nem sua voz transparece a segurança que ela quer ter — Sua namorada, não vai vir hoje? — sua pergunta soa menos carregada e está claro que Anastácia está tentando mudar o clima que rodeia esse quarto.
— Eu não sei... — suspiro — Não cheguei a conversar com ela ainda — encosto minha cabeça no colo de minha mãe e a mesma continua com o cafuné.
— Está tudo bem com vocês? Pareciam afastados — sua pergunta calma, me faz respirar fundo.
— Estamos melhorando — encurto tudo o que aconteceu e minha mãe ri com o nariz.
— Converse com a sua mãe, querido — ela pede e por mais que eu queira perguntar onde ela tirou o diploma de psicóloga de um dia pro outro; engulo meu sarcasmo.
— Ela pensou que a trai — acabo lhe contando o que aconteceu e no mesmo segundo recebo um tapa na nuca.
— Chuck Riston! — minha mãe como sempre que quer me chamar a atenção; pronuncia meu nome completo.
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Talvez Desconhecidos
Romansa🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
