Capítulo 61
Brooke
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Acordo totalmente desnorteada em meio à lençóis macios e abro os olhos observando o quarto, que reconheço imediatamente. Apesar do lugar na cama vazio ao meu lado, um sorriso começa a surgir aos poucos em meus lábios. As lembranças da noite passada me fazem querer rir e ao mesmo tempo arrancar meus cabelos. Declaramos mesmo juras de amor um para o outro ontem? Me sento no colchão macio e puxo o lençol, até cobrir meus seios. Minhas mãos sobem até meu rosto, o escondendo. Cada tijolo do muro, que passei anos construindo contra tudo que Chuck Riston representa, foi derrubado dentro de segundos na noite passada. Saímos, bebemos e transamos exatamente como... Eles fizeram. No entanto, nada pareceu errado, ou melhor dizendo; nada pareceu extremamente errado. Por mais estranho que pareça, meu corpo, por um todo achou certo alguns momentos da noite anterior. Principalmente quando o corpo de Chuck estava sobre o meu. Eu e o mimado realmente transamos. Chuck e eu realmente falamos que preferimos a companhia um do outro, à de outras pessoas. Chuck e eu realmente conseguimos passar uma noite inteira sem provocar ou brigar um com o outro... Escuto vozes e isso é o suficiente para que eu deixe de parecer uma adolescente apaixonada e abaixe minhas mãos. Encaro a porta do quarto, a fim de ver sua figura entrando no cômodo, mas as vozes logo se afastam e gradativamente somem. Respiro fundo e olho ao redor do quarto que já estive antes. Meus olhos se semicerram ao encontrarem com a luz forte do sol atravessando a janela e nesse segundo sinto meu coração errar uma batida. Já estamos no outro dia, outra manhã. Rapidamente me viro sobre o colchão e checo o horário no despertador de Chuck; 10am. Não... Não... Não... Deixei Gina na mão de novo. Não faz sequer 24h desde que me aventurei nessa vida e já estou quebrando todas as minhas regras, quando na verdade não deveria estar quebrando nenhuma. Uma pergunta rápida surge em minha mente e me assusta; "Está valendo a pena?". Olho mais uma vez o arredor do quarto e paro minha atenção na tatuagem descoberta na minha mão direita. Me recordo do misto de sensações — algumas leves como uma brisa fina, outras quentes como uma brasa acesa — e automaticamente um sorriso invade meu rosto. Concordo com a cabeça; está. Por mais insano que seja essa resposta, dada as minhas circunstâncias... Está sim, está valendo cada briga, cada provocação, cada sorriso, cada confusão de sentimentos, cada beijo que selamos na noite passada. Tudo.
Levanto e começo a me vestir sem pressa. Não há porquê correr agora... Afinal mesmo que eu chegue na lanchonete antes do meu expediente terminar, não conseguirei trabalhar sequer 10 minutos. Uma falta na faculdade e logo em seguida uma falta na lanchonete. Isso deveria estar me apavorando, mas por algum motivo não consigo me sentir tão apavorada como deveria. Termino de abotoar o último botão da minha blusa do uniforme e já até estou começando a aceitar que esse conjunto virou minha segunda pele. Ao terminar de me vestir, me sento na beirada da cama. Onde Chuck deve estar? Já estou acordada no mínimo 20 minutos e nada dele retornar de quer fosse onde ele tenha ido. Talvez ele esteja no banho, então resolvo esperar mais alguns minutos. Para que exatamente, não sei. Até porque tenho certeza, que não é como se ele fosse entrar por aquela porta, vindo na minha direção, a fim de me beijar igual ontem. Sei que não. E essa incerteza me deixa nervosa. Levo minha mão esquerda até a direita, a fim de brincar com a barra da minha luva, no entanto tudo que encontro é minha própria pele desnuda. Abaixo olhar até encontrar com os traços pretos, que formam os ossos em minha mão e respiro fundo.
Quando com Chuck ontem, foi fácil esquecer que essa mão estava descoberta. Foi fácil esquecer do porquê a cubro. No entanto agora, estar aqui sozinha faz com que um sentimento pesado me atinja. Me obrigo a levantar e procurar pela luva. Demoro até encontrar o pedaço de pano pequeno, que cobre minha mão; embaixo da cama. Após limpa-la a coloco. Um pouco do nervosismo de antes vai embora, mas ainda assim sobra uma certa porcentagem. Encaro a porta do quarto de Chuck e respiro fundo. Se ele estivesse no banho, já era para ter retornado. Enrolo mais um pouco e quando o relógio bate 10:43 desisto de esperar sua ilustre presença. Deixo seu quarto de sobrancelhas juntas, sem entender o que possa estar acontecendo. Já que ele não estar no quarto depois de tudo que aconteceu ontem, definitivamente não é certo. Caminho em direção a escada ajeitando meus cabelos com meus próprios dedos e enquanto desço os degraus, escuto um coral de vozes rindo e conversando; o pessoal da fraternidade... Respiro fundo e continuo a descer cada degrau, fazendo o mínimo de barulho possível. Não quero ter que falar com quem não conheço, muito menos ter que responder as perguntas, que eu sei que virão até mim. No entanto, e se Chuck estiver lá? Talvez ele esteja tomando seu café da manhã.
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Talvez Desconhecidos
Romance🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
