Capítulo 83
Brooke
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Entro no salão do prédio e minhas sobrancelhas se erguem pelo tanto de móveis que contém o lugar. Isso não é uma recepção, esse lugar está mais para um espaço aberto de algum resort. Há estantes cheias de livros, há poltronas que devem valer milhares de números em seus dígitos, há uma área de estar com sofás de quatro lugares, tv e até mesmo um balcão com várias opções de bebidas. Paro de andar, quando meus olhos encontram com uma fonte projetada estrategicamente embaixo do logotipo do prédio. Eles tem uma fonte... Dentro do prédio. Uau. Meu nervosismo passa a aumentar. Pensei que viria cuidar de uma criança mimada — como Chuck — e não a própria reencarnação de uma princesa. Acabo olhando para a barra da blusa velha que estou usando e não consigo não rir ironicamente. Devo estar parecendo uma sem teto, comparada ao pessoal que vive nesse lugar. Uma voz chama meu nome e no mesmo segundo me viro, encontrando com o senhor J. Otto... Pelo menos é esse o nome gravado no cartão que ele me deu. Ele se aproxima com suas peças de roupa perfeitamente perfeitas, sem um amassado.
— Gostou? Eu quem mandei projetar — ele faz sinal com a cabeça para a fonte que eu estava admirando antes.
— Você? — não escondo a surpresa e minhas sobrancelhas acabam por se erguerem novamente.
Ele concorda com a cabeça e acabo respirando fundo, porquê se foi ele quem projetou essa fonte; ou ele é algum tipo de engenheiro muito bem sucedido, ou é algum tipo de artista que ganha muito pelo que faz. Nenhuma dessas opções bate com "empresário", não bate com a frequência dele naquela lanchonete e na opção de ter me contratado como babá.
— Sou dono desse lugar — seu comentário soa tão casual, como se não fosse nem um pingo importante ele ser dono de um prédio cinco estrelas — E de outros hotéis em outras cidades também, é um negócio de família, sabe? — sua total despreocupação me faz respirar fundo.
Transfiro minha atenção para a fonte novamente. É uma fonte bonita, tem peixes nela. Mas a cor que escolheram para a pintura dela; um laranja, igual ao laranja do logotipo, não combinou. Entretanto, não sei ao certo qual outra cor eu colocaria na fonte. Volto a encarar os peixes — todos nas cores azul Royal, alaranjados e alguns pretos — nadando diversas vezes na mesma direção.
— Marrom acobreado — resmungo.
— Desculpe, não entendi — transfiro minha atenção de volta para o senhor J. e observo sua expressão, com as suas sobrancelhas levemente juntas algumas rugas da idade aparecem no seu semblante.
— A fonte — volto a encarar a casa dos peixes — Eu a pintaria de marrom acobreado, combinaria com o laranja do logotipo, com as poltronas e os sofás do outro lado do salão — dou de ombros, enquanto pronuncio a minha opinião e agora quem olha para fonte, a estudando, é o senhor Otto.
— Faz sentido — sua concordância me pega desprevenida, já que podia jurar que ele diria algo do tipo; "É, mais eu que tenho mais dinheiro aqui, então eu que tenho a razão" — Então, Beatrice está nos esperando, vamos? — sua pergunta soa mais como uma ordem, porém não dou muita importância a isso e apenas o sigo em direção ao elevador.
— Beatrice é a sua filha, certo? — questiono andando lado a lado do mesmo, porém com um espaço entre nós.
— Isso, farei as apresentações lá em cima — o cara informa, enquanto aperta o botão do elevador com o número 20 gravado.
Claro que o dono do lugar moraria na cobertura. Respiro fundo novamente e levo minha mão esquerda ao encontro da luva na mão direita, mas tudo que encontro é pele. Mentalmente, digo a mim mesma que é só um serviço de babá. Nada demais. Chegamos ao topo dos andares surpreendente rápido e no instante em que as portas do elevador se abrem, meu nervosismo fica maior. No corredor só há três portas separadas por um espaço pequeno.
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Talvez Desconhecidos
Romansa🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
