Capítulo 33

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Capítulo 33

Chuck

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              Estamos há uns bons 5 minutos apenas em silêncio, encarando um ao outro. Nunca fui a pessoa no grupo de amigos que tinha a melhor aura para aconselhar e acolher. Sempre fui o que se alguém chegasse dizendo que perdeu um sexo incrível, eu lhe daria um tapinha nas costas e lhe oferecia uma garrafa de cerveja. No entanto, algo me diz que não posso apenas bater nas costas de Brooke e lhe oferecer uma bebida gelada nesse momento. Mesmo que essa ideia soe incrível. Porra, repasso o que a morena acabará de dizer e mesmo que ela não tenha dito, está claro que Brooke sente raiva pelo relacionamento que tem com seus pais e porra, estou me sentindo um inútil por não saber o que dizer, ainda que no fim eu sequer precise dizer qualquer coisa, afinal não é da minha conta.

— Vocês... Não se dão bem, né? — resolvo quebrar o silêncio a questionando, enquanto levo uma mão até a nuca, a coçando por puro costume.

— Céus, não Chuck a gente não se dá bem, na verdade nunca falei com eles na vida — Brooke suspira e percebo que seu aperto contra si mesma; se fortalece.

— Então quer dizer que... Você não foi criada por eles? — no instante em que pronuncio a pergunta, Brooke desvia seu olhar respirando fundo.

        Naturalmente quando não queremos falar sobre algum assunto; fazemos exatamente isso que a princesa acaba de fazer, desviamos o olhar. Espero alguns segundos para ver se ela iria me responder e quando percebo que não, umedeço os lábios. Pra mim isso é novo; ter que escutar e tentar compreender uma garota. Qualquer contato que mantenho com o sexo oposto se resume à; amassos, sexo casual e fim. Falar sobre suas dramas familiares? Definitivamente não, até porque não sou psicólogo. No entanto, não consigo apenas ignorar fato de que Brooke está claramente incomodada com essa porra, o que por algum motivo também me incomoda vê-la dessa forma. Pelo curto tempo que a conheço, a morena pode ser tudo; chata, egocêntrica, sarcástica demais, focada... Mas pra baixo? Não combina com ela. E esse é mais um motivo para que eu ajude Brooke a curtir o tempo que ainda temos.

— Qual sua comida favorita? — questiono de repente mudando de assunto, porque como Cathy diz; "Na tristeza, sempre opte por comer sua comida favorita".
        No entanto, quando os olhos negros de Brooke se pousam sobre os meus novamente, percebo que talvez essa não tenha sido lá a melhor coisa a se perguntar agora. Porra, eu disse que não sirvo para ser concelheiro. A envio um sorriso de culpa e Brooke solta o ar, dando de ombros.

— Frozen yogurt — sua resposta me surpreende por 1) ela realmente me responder e 2) sua comida favorita ser frozen yogurt? Sério? Primeiro a pizza de legumes agora isso... Definitivamente ela não sabe viver da maneira certa.

— Ok — checo o horário no celular e são quase 4am — Acho que deve ter algum lugar aberto que venda isso — tento repassar mentalmente os estabelecimentos abertos 24h que conheço na cabeça, para lembrar de algum que venda a comida favorita de Brooke.

— Sério Riston? Frozen yogurt as 4am? — sua pergunta soa acompanhada de uma risada sarcástica.

— Aí que está, Princesa! Ainda não são 4 horas, faltam alguns minutos e preste atenção no que estou te falando agora; temos que viver cada segundo que o relógio marcar, como se ele fosse a garrafa de cerveja e a diversão fosse as últimas gotas do álcool — tento transmitir a ideia de que só vivemos a merda de uma vez, mas Brooke que estava me encarando séria; cai na risada.

— Você acabou mesmo de comparar álcool e relógios? — sua pergunta sarcástica soa entre as entrecortadas risadas e ao mesmo tempo em que estou começando a ficar puto, por ela estar rindo do que disse, estou vidrado no seu sorriso.

          Respirando fundo para não falar nada sem pensar, a envolvo com um braço ao redor da sua cintura e começo a puxa-la em direção ao carro, mesmo que a contragosto da princesa. Durante o curto espaço de tempo que já vivi, aprendi uma coisa; você só começa a valorizar certos momentos, quando passa por algo fodidamente fodido. É eu sei, puta frase filosofal, mas é verdade. Não que eu seja a porra de um expert em causa e efeito, apenas... Vivo como se o dia de hoje merecesse ser vivido e não apenas ser riscado do calendário. Fala sério porra! Quem que — hoje em dia — só trabalha e estuda? Sempre acreditei fielmente que ou você curte enquanto pode, ou vai acordar um dia e estará voltando do seu turno de 9h da porra do seu emprego, para a porra da sua casa, com a porra dos seus filhos gritando sem motivo algum e vai fazer a porra de um sexo sem emoção alguma com sua mulher, que provavelmente está rezando pra que você goze o mais rápido possível, para que ela se livre do seu pau brocha. É triste mas é a realidade. Você não vê nenhum pai de família rindo em festas de universidades, por que? Porque há vida ali, há bebidas, há músicas, há pegação — de verdade — há dança, há jogos, porra ali há tudo. E nisso tudo sei, sem mesmo perguntar que; Brooke nessa história, é a esposa que não vê a hora do marido brochar. Tudo bem, ela já deixou claro, que depende do emprego e aparentemente é fissurada na faculdade, mas porra, ela precisa mostrar pro mundo a porra do corpo lindo que tem e não figurativamente falando, como tirar o sutiã na frente de um monte de idiotas em festas... Não, se ela quiser ótimo — por experiência própria; — iria ser uma visão e tanto, mas não, estou falando dela conhecer pessoas, parar de andar encostada nas paredes, comer mais frozen yogurts, reconhecer ressacas, viver como a porra de uma garota de 20 e poucos anos deveria estar vivendo e não apenas... Existindo.

— Sabe que eu posso gritar e vão te prender por sequestro, né? — a princesa pergunta no instante em que abro a porta do passageiro e empurro sua cabeça sem delicadeza alguma, para que ela entre de uma vez no carro.

— Ah sim, duvido muit... — tento brincar com a situação, no entanto antes que eu pudesse terminar de pronunciar a piada, sou interrompido por um berro agudo vindo da garganta de Brooke. De princípio apenas a encaro, como se ela fosse algum meteoro que atingiu a superfície terrestre, porém como ela não para; cubro sua boca com minha mão — Está louca? — questiono olhando ao redor, para ter certeza que ninguém ouviu ou viu essa porra e logo paro minha atenção no rosto da princesa, coberto por minha mão.

        Enquanto Brooke me olhava nos olhos, sinto seus lábios formarem um sorriso embaixo da minha mão e logo algo molhado. Uno as sobrancelhas e aquilo molhado começa a fazer círculos na palma da minha mão.

— Você está lambendo a minha mão? — a questiono erguendo uma das minhas sobrancelhas, Brooke ri e por algum motivo acabo rindo também.

Porra, Brooke é a porra de uma em um milhão mesmo, porque nunca, nunca mesmo alguma garota passaria sua língua na minha mão. Não é um fetiche que todas tem. E esse seu efeito vem me fazendo olhá-la com outros olhos. Agora quais? Não faço ideia. Esse pensamento me atinge forte e por algum motivo, me lembro de Thomas e Gibson. No mesmo segundo desfaço o meu sorriso e afasto a mão do seu rosto. A morena percebe minha mudança de humor, já que deixa de sorrir também, mas não chega a perguntar nada. Fecho a porta do carro e resmungo um; "Vamos logo" dando a volta no automóvel. Ajudá-la à ser mais solta não significa me amarrar a ela, certo?

Talvez DesconhecidosOnde histórias criam vida. Descubra agora