Capítulo 96

2.9K 259 75
                                        

Capítulo 96

Chuck

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

          Billy encerra a tatuagem quando o céu já está escurecendo e cada segundo com minha bunda nessa droga de cadeira valeu a pena. Apesar de sim ser um pouco chato, a dor que as agulhas produzem em contato com a nossa pele, não é lá tudo aquilo que muitas pessoas juram sofrer, como se tivessem ido ao inferno e voltado. Há esbarros em campo que doem mais que isso. Escuto com atenção as dicas que Billy me passa e as instruções de como cuidar da tatuagem nos primeiros dias. Anoto o nome de uma pomada pra coceira, caso eu comece a sentir, já que não pode coçar e lhe pago pelo trabalho perfeito. Confesso que pensei que o resultado não sairia tão bom, quanto saiu... Mas o cara sabe o que faz e me deixou fissurado no desenho preto na minha pele. E depois de me despedir de Unira, Fred, Billy e Luis — um cara que havia chego horas antes, apenas para fazer a barba, mas acabou ficando conversando com nós quatro — deixo o studio. Os assuntos que surgiram conforme o tempo ia passando foram tão toscos, quanto os assuntos que rodeiam o vestiário após um treino. Conversamos sobre quanto silicone uma pessoa pode ter no corpo, também sobre como a venda da maconha deveria ser legalizada. Foi tantas coisas aleatórias que teve partes que eu sequer sabia do que estávamos falando. Entro no carro e sinto um formigar chato no local onde os traços escuros estavam fixos em minha pele. Aproveito para pegar o celular da minha mãe e checo se havia novas mensagens. Para minha surpresa havia tanto mensagens de Brooke, quanto do meu pai.

'ESTÁ NO HOSPITAL AINDA?' - Brooke

Percebo que ela havia enviado a pergunta algumas horas atrás, no entanto, antes de respondê-la, fecho a conversa e entro na do meu pai, pedindo
mentalmente para não ser nada sério.

'FILHO?' -Pai.

'SUA NAMORADA ESTÁ AQUI' -Pai.

'NÃO SABIA QUE ELA TINHA TATUAGEM, MANEIRO' -Pai.

'SUA NAMORADA MANEIRA ESTÁ DESCONFORTÁVEL COM SUA MÃE PERGUNTANDO SE ELA PENSA EM SE CASAR' -Pai.

Fecho os olhos por alguns instantes. Porra, mãe...

'ELA TROUXE UMA MUDA DE ROUPA PARA VC' -Pai.

'AFINAL, ONDE VC ESTÁ GAROTO?' -Pai.

Percebo que sua última mensagem foi enviada há 20 minutos atrás, o que pode significar que Brooke ainda esteja no hospital. Pensando nisso, ligo o carro e o retiro do estacionamento do studio, tendo uma breve dificuldade em dirigir por conta da tatuagem.

*

        Mesmo com a possibilidade de Cathryn ainda estar desacordada ou pior; ainda não estar lembrando da gente, compro um buquê de flores de uma floricultura que nunca havia ido antes, no caminho até o hospital. Sei que se Cathy visse o embalo do buquê, ficaria apaixonada... Porque é bem bonito. Fora que a moça encontrou um papel na cor favorita de Cathryn; roxo. Em cerca de 20 minutos estaciono o carro no estacionamento do hospital e por estar com receio de encarar uma Anastácia louca, na frente de Brooke, escondo minha tatuagem. Caminho sem pressa em direção ao quarto de Cathryn e a recepcionista da terceira idade do hospital me envia um olhar como se dissesse; "Nem irei mais me estressar com você garoto", o que me faz rir e a enviar um sorriso, que geralmente eu enviava às garotas em festas. Ela revira os olhos e volta sua atenção para a revista que estava lendo. Mesmo que Brooke e minha família esteja naquele quarto, não sinto a mínima vontade de entrar naquele cômodo e encontrar com Cathryn desacordada. Lembrar da sua figura sobre a maca, me faz ficar mal pra porra, por isso paro em frente à porta do seu quarto e fecho os olhos com força, apertando sem querer o seu buquê na minha mão. Não fico melhor, mas já é a segunda enfermeira que passa no corredor e me olha como se eu fosse a porra de um louco, então giro a maçaneta e entro de vez no quarto sem vida.

Talvez DesconhecidosOnde histórias criam vida. Descubra agora