Capítulo 18
Chuck
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Brooke me segue em direção a sala e travo o maxilar ao perceber muita gente nos encarando. Na verdade "nos encarando" não; encarando ela. Porra, claro que iriam encara-la, ela está a porra de uma modelo de revista da PlayBoy. Sua silhueta dentro daquela mini fantasia é de deixar qualquer cara de pau duro e esse pensamento me incomoda por alguma merda de motivo. Antes de terminarmos de atravessar a multidão, sinto algo puxando a parte de trás da faixa que compõe minha fantasia. Junto minhas sobrancelhas e olho por cima dos meus ombros, para me deparar com uma das mãos de Brooke segurando com força a faixa.
— Tá tudo bem? — pergunto conseguindo falar em cima da música alta e Brooke engole no seco.
— Só vai de uma vez... Odeio muita gente junta — sua resposta soa baixa e só entendi o que ela havia pronunciado, por conseguir ler seus lábios pintados de um batom vermelho.
Minhas sobrancelhas se unem mais ainda em confusão, quando processo o que Brooke acabará de falar. Como assim? Odeia muitas pessoas juntas? Podia apostar com qualquer um que ela quando não estava naquela lanchonete velha; dançava e curtia em clubes pela cidade. Tudo na personalidade dela apontava isso. No entanto, a forma como Brooke está segurando com força a faixa da minha fantasia, como se estivesse com... Medo? Me faz repensar em tudo que supôs sobre ela. Não que eu tenha pensando muito em Brooke. Porra a quem estou tentando enganar? Essa princesa da boca suja não sai da minha cabeça, desde que nos esbarramos e ela me chamou de Topeira. Um sentimento protetor estoura por algum motivo em meu peito e levo minha mão até a sua em minhas costas, afim de pega-la. Nunca andei de mãos dadas com nenhuma garota antes, mas bom, todos temos a porra da primeira vez para tudo. Brooke cai olhar em nossas mãos e logo seus olhos negros sobem até os meus e ela nega com a cabeça.
— Não disse que quero sua mão... — suas sobrancelhas se unem de leve — Não sou uma criança — Brooke acrescenta falando sobre a música desta vez.
Meu rosto que havia se suavizado em reação à sua fobia, volta a se fechar. Sério? Porra! Tento ajudá-la e ela se da uma de "adulta" pra cima de mim?
— Foda-se então — rosno soltando sua mão, voltando a prestar atenção na minha frente e paro de pedir licença entre as pessoas; começando a empurra-las.
Brooke não solta a porra da minha fantasia, mesmo sendo a puta adulta que diz ser. Quando chegamos à sala, o cômodo está menos lotado, não que seja uma redução imensa, se no hall de entrada haviam 100 pessoas, na sala tem 80. Há pessoas de todos os gostos e tipos aqui, e isso energiza minhas veias. Há loiras, morenas, ruivas e porra... Há até uma garota de cabelo verde em um grupo no canto da sala. Deixo meu olhar cair em uma loira sentada na poltrona da sala, com uma fantasia de lycra justa e decotada pra porra. Paro de observar a garota, quando um bufar soa atrás das minhas costas.
— Deixa pra ficar de pau duro depois, Mimado — Brooke resmunga e sua mão que estava segurando minha faixa; empurra minhas costas.
Respiro fundo ignorando o alarde do meu corpo, ao sentir a pele de Brooke na minha e volto a cruzar a sala, até a mesa de beer pong, onde Gibson e — emoji de carinha vomitando — Gretta estão. Pensando melhor agora, deveria ter dito à Gibson que aceitava uma partida de caras e somente caras só para não ter que encarar aquela porre da sua namorada. Assim que eu e Brooke paramos em frente à mesa, Gretta — se existir; emoji de um TNT caindo em cima da minha cabeça — dá a volta e abraça Brooke. Minhas sobrancelhas se unem no mesmo segundo. Quando caralhos elas viraram amigas? No entanto, minha dúvida se vai quando Brooke adota um semblante igual ao meu e juro que posso escutar seus pensamentos; "o que essa garota está fazendo, me abraçando?" o que me faz sorrir. Brooke demora uns instantes para retribuir o abraço da garota do Gibson e quando movo minha atenção para Gregory, o mesmo sorri.
— Não foi só eu que fui obrigado a vir combinando — o cara ri e fico alguns instantes sem entender, até perceber que...
Meus olhos se voltam para Brooke e porra, estamos mesmo de fantasia combinando. Como caralhos não percebi isso antes? Ahh não droga, agora o pessoal vai começar a achar que estou caidinho de quatro, igual Thomas um dia esteve e Gregory está. Porra. Não me passou nem por um segundo que nossas fantasias "se completavam", óbvio que sei que; Adão & Eva, foram a porra de um casal... Mas, porra! Eu e Brooke não somos. Deveria ter deixado essa droga de fantasia para Thomas e sua Eva particular.
— Amei os desenhos! São tão realistas... — a voz da chata da garota do Gibson me tira dos meus pensamentos e então percebo que a demonstração de afeto das duas terminou e Brooke já está ao meu lado — O da mão mesmo, está perfeito — Gretta aponta para a mão de Brooke, que estava apoiada na ponta da mesa e no mesmo segundo a morena a abaixa, como se tentasse escondê-la.
— É... Prontos para perder? — Brooke desvia o assunto claramente incomodada e isso me faz unir de leve as sobrancelhas em dúvida.
Meus olhos vão para a outra mão dela — a qual não está com nenhum desenho — e então percebo que a mão que Brooke acabou de abaixar é a que ela sempre cobre com a maldita luva. Tento encarar seus dedos, mas de onde estou, seu quadril a esconde e quase bufo por isso. Por que porra ela esconde tanto aquela mão?
— Ahh claro — Gretta ironiza e pego a bolinha branca do meio da mesa.
— Que seja a adulta que tem medo de pessoas; a começar — comento e mostro a bolinha na palma da minha mão para Brooke.
A morena espreme seus olhos para mim e faz menção de capturar a bolinha. Meus olhos caem em sua mão, a fim de desvendar o mistério, mas a garota é esperta, ela usa a mão sem nada e a que não esconde para pegar a bolinha. Bufo disfarçadamente e Brooke passa a bolinha para sua mão pintada e que geralmente a esconde. Tento descobrir alguma coisa, no entanto a princesa arremessa tão rápido a bolinha, que mal tenho certeza se ela tem cinco dedos mesmo. Gibson e Gretta riem quando a bolinha que Brooke arremessou cai entre dois copos e Gregory é o próximo à jogá-la.
*
Brooke detona seu... Sei lá, somos ridículos nesse jogo e estamos bebendo mais do que os fazendo beber, então já perdi as contas de quantos copos ela bebeu e quantos copos eu já bebi. Observo Brooke afastar seu copo dos lábios e um risco do álcool escorrer no canto da sua boca. Sorriu e penso em limpar com a faixa da minha fantasia novamente, mas desisto da ideia e subo uma mão até o pescoço dela, aproximando nossos rostos. Não demonstro supresa com a facilidade e trilho com minha língua o restinho de bebida que estava escorrendo no seu rosto lindo. Brooke me surpreende ao envolver os braços ao redor do meu pescoço e sorrir. Estou bêbado pra porra, mas tenho plena consciência de que nossos lábios estão a centímetros de distância um do outro. Ahhh porra, estava esperando esse momento. Minha mão em seu pescoço escorrega para os fios de cabelo na sua nuca e quando faço menção de beija-lá, Brooke vira o rosto rapidamente fazendo meus lábios encontrarem com sua bochecha.
— Vamos continuar! — a morena pronuncia animada e solta seus braços do meu pescoço, apenas para descer suas mãos até meu peito e depositar dois tapas nele — Sua vez, Mimado — Brooke volta a virar seu rosto para me encarar sorrindo sem mostrar os dentes.
Engulo o amargo de ter meu beijo rejeitado e passo a mão nos cabelos. Não quero jogar uma bolinha imbecil dentro de copos, tudo que quero nessa merda de momento é beijar a porra do seu sorriso perfeito, Princesa.
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Talvez Desconhecidos
Romansa🏆 VENCEDOR DO THE WATTYS 2021, NA CATEGORIA NEW ADULT🏆 Brooke Westton sempre teve a vida corrida e cronometrada como um mero robô. As manhãs ela trabalha, as tardes assiste as aulas de sua faculdade e de noite retorna à lanchonete onde trabalha de...
