Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Inverno de 2005
Dulce María
Estou há um mês me fundindo com minha própria cama.
A cada dia que passa, tudo se torna mais difícil. Abrir os olhos com uma chama de esperança e ela se apagar completamente ao sentir o lado dele da cama frio.
Ele não voltou. E nem tão pouco foi encontrado.
Um dia após o acidente, juntei todas as minhas forças e ajudei nas buscas. Sem sucesso, comecei a enlouquecer ao escutar o que diziam à minha volta.
Eu não queria aceitar. Eu não ia aceitar.
E é por isso que estou aqui, esperando ele voltar. Esperando eu abrir os olhos e vê-lo dormindo ao meu lado, quieto, terno e leve.
Eu precisava de Christopher vivo, ou eu acabaria morrendo de tanta dor interna.
— Dul, você está bem? — Escutei a voz de Maite do outro lado do lençol. Fazia alguns dias que ela estava dormindo na minha casa para me fazer companhia.
— Na verdade, estou enjoada de novo. — Falei quase em um sussurro. Maite não disse mais nada e nem se mexeu para sair.
— Eu não quero ser indelicada, mas, você já cogitou isso ser algo além da tristeza? — Franzi a testa e tirei as cobertas de cima de mim.
— O que você quer dizer com isso? — Perguntei desconfiada.
— Será que esses enjoos não indicam que você está grávida? — Franzi mais ainda a testa, achando aquela hipótese sem possibilidade alguma.
— Acho que isso é meio impossível, já que Christopher não está aqui. — Engoli em seco, não querendo que ela dissesse algo depois daquilo.
— Dul, às vezes uma gravidez demora pra ser percebida, ainda mais no meio de tudo que está acontecendo. — Ela sentou-se na beirada da minha cama e me olhou com todo o carinho do mundo, quase como se estivesse conversando com uma criança.
— Ou esses sintomas estão acontecendo porque não estou conseguindo viver sem ele, Mai. — Falei com a voz já ficando embargada. Ela colocou sua mão sobre a minha.
— Dores nos seios não é um sintoma de quem está sofrendo, Dul. Muito menos cólica sem estar em período menstrual. — Engoli em seco mais uma vez ao cogitar que ela poderia ter razão. — Vamos fazer assim, vou pedir para Andrés comprar um teste de farmácia e a gente faz só para tirar a dúvida. Pode ser?
— Eu não quero estar grávida, Mai. — Senti a primeira lágrima escorrer pelo meu rosto. — Como vou lidar com isso se ele não está aqui?
— Eu posso estar errada, Dul, por isso é bom só tirarmos essa dúvida. — Eu assenti, vencida.
— Andrés! — Ela falou em um tom mais alto, chamando seu marido que deveria estar no quarto ao lado. Assim como ela, ele também estava dormindo na minha casa e me ajudando a entender tudo o que estava acontecendo ao nosso redor.