Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Outono de 2023
Dulce María
Depois que cheguei do hotel, passei em casa apenas para tomar um banho e trocar de roupa. Cogitei deitar na cama e dormir sim, mas eu sabia que se eu fizesse isso, meus pensamentos me engoliriam e eu não estava preparada para lidar com nada do que tinha acontecido na noite anterior.
Fui para o escritório, ocupar minha cabeça com problemas empresariais. Com certeza isso foi muito melhor do que lidar com uma insônia, mas não me fez esquecer os acontecimentos no hotel. Minha pele formigava apenas de lembrar em que partes do meu corpo Christopher havia tocado.
O importante é que precisei resolver alguns problemas da Licence. Problemas suficientes para que eu ficasse até tarde no escritório e não precisasse encarar qualquer situação familiar. Dan já estava chateado comigo, e ficaria ainda mais quando entendesse o que de verdade estava acontecendo.
Mordi a ponta da minha caneta, nervosa porque eu já tinha lido o novo contrato mais de uma vez, porque no meio do caminho eu simplesmente me perdia em meus pensamentos. Fora que eu estava caindo de sono por não ter dormido nada o dia todo.
— Dulce! — Senti meu coração apertar assim que ele adentrou o escritório sem bater. Ele vestia calças de moletom e uma camiseta preta, seus cabelos ainda estavam molhados, indicando que ele veio correndo depois do banho. — Precisamos conversar. — Sua respiração estava ofegante, parecendo que ele veio praticamente correndo me encontrar.
— Espero que seja sobre trabalho, Christopher. Caso não seja, prefiro que a gente não toque no assunto. — Falei soltando a caneta e escorando as costas na cadeira, de uma forma mais confortável, tentando não transparecer o quanto aquilo estava mexendo comigo.
— Porque diabos você está fugindo de mim? — Ele ergueu os braços indignado. Eu franzi a testa.
Porque ele parece tão irritado?
— Eu não estou fugindo. — Falei suspirando e levantando, pegando minhas chaves e minha bolsa.
— Não? — Ele disse erguendo as sobrancelhas e apontando para minha bolsa. Respiro fundo, porque não quero encarar a situação, mas pelo jeito serei obrigada.
— Eu não faço ideia do que você quer, Christopher, mas se for pra dizer que podemos ficar juntos ou coisa do tipo, a resposta é não. — Falo o final da frase quase sussurrando, pois eu sei que não é aquilo que verdadeiramente quero. — Não, porque não podemos ficar juntos. Se eu simplesmente não escutar a minha razão, vou acabar magoando ainda mais quem esteve comigo durante todos esses anos. — Um sorriso sarcástico surge em seus lábios, e ele coloca as mãos na cintura, me olhando como se esperasse aquilo de mim.
— Eu deveria esperar mesmo isso de você.
— O que você quer dizer com isso? — Franzi a testa, ficando indignada com aquele tipo de atitude. Cá temos o Christopher de quando chegou no México de novo.