Capítulo 32

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Outono de 2023

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Outono de 2023

Dulce María

Eu precisei engolir em seco, sentindo como se uma agulha estivesse atravessando a minha garganta. O nó estava ali, e eu sabia que só abrindo a minha boca eu conseguiria desfazê-lo.

— Viver sem você foi a coisa mais horrível que eu já tive que experimentar. — Senti minha voz trêmula. A força que eu estava fazendo para não transparecer todo o meu sofrimento ao tocar nesse assunto, não estava adiantando de nada. — Nós tínhamos acabado de viver um dos dias mais importantes da nossa vida, e foi difícil demais pra mim ter que aceitar algo assim. Foi muito difícil aceitar que toda aquela merda estava acontecendo. — Desviei o olhar e olhei para meus pés. Era difícil demais olhar em seus olhos e ver só um vazio. — Eu até tentei ajudar nas buscas no início, mas eu não tinha forças para toda a frustração e dor que eu sentia toda a vez que não encontravam nada. — Fechei os olhos, tentando não me lembrar daquela dor.

— Quando você descobriu que estava grávida?

— 1 mês depois que você desapareceu. — Eu funguei olhando para frente. — Eu estava quase virando minha própria cama de tanto que eu ficava só nela. Maite e Andrés estavam quase morando lá em casa, e como ela estava grávida, se deu conta rapidamente de que eu estava também. — Eu ri pelo nariz. — É difícil pra mim lembrar que eu não consegui ficar feliz. Eu simplesmente não conseguia. — Senti a primeira lágrima escorrer pelo meu rosto. Eu odiava aquele assunto, afinal, me sentia culpada por não me sentir feliz ao descobrir a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.

— Porque? — Ele disse quase num fio de voz, e eu o olhei.

— Porque você não estava lá. — Eu solucei. — Eu simplesmente não sabia o que fazer, ao mesmo tempo que eu entendia que não podia deixar a tristeza tomar conta do meu corpo, porque eu não podia mais pensar só em mim. — Eu funguei de novo. — Descobri minha gravidez no dia que sua mãe se foi.

O semblante de Christopher mudou rapidamente. Ele ficou sério, quase pálido. Se remexeu no sofá, incomodado com aquele assunto.

— Seu pai me ligou minutos depois de eu ter descoberto, desesperado, achando que eu pudesse ajudá-la, mas eu... — Eu engoli em seco quando vi os olhos dele encherem de lágrimas. — Eu não cheguei a tempo. Sinto muito. — Abaixei a cabeça, olhando para as minhas mãos. Eu sabia que vê-lo frágil daquela forma mexeria muito mais comigo, e eu não conseguiria continuar. — Eu tentei colocar minha cabeça no lugar depois disso, sentia que se eu ficasse no México, não conseguiria cuidar de mim e muito menos de Mariana. Então, voltei pro Brasil com a minha família. — Falei colocando a mão entre as pernas, e as sacudindo, tentando novamente engolir minha vontade de chorar.

— Meu pai deixou você ir mesmo sabendo que estava grávida de uma neta dele? — O olhei e ele tinha a testa franzida, confuso. — Não me parece algo que ele permitiria. — Seu semblante havia mudado de novo, era como se ele tivesse engolido sua vontade de chorar, coisa que eu não estava conseguindo fazer.

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