Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Inverno de 2023
Christopher
Depois de trazermos para dentro de casa algumas caixas que ainda estavam no carro, Mariana começou a me ajudar a organizar as coisas conforme eu dizia para ela onde deveriam ficar.
Nós ríamos e não parávamos de conversar sobre diversos assuntos. Percebi Natália em silêncio, bufando uma vez ou outra, completamente incomodada com o que via. Eu sabia que ela estava com ciúmes e que teríamos que conversar sobre isso mais tarde, mas, fiquei mais leve quando ela decidiu ir se arrumar para almoçar com suas amigas.
A casa estava limpa quando cheguei, e estranhamente não estava com ar de guardada. Era como se alguém tivesse cuidado de cada detalhe antes que eu chegasse. Como se estivesse me esperando de portas abertas.
Pensei em Dulce no minuto seguinte. Ela nunca mentiu para Mariana sobre mim e manteve a tradição das sextas-feiras, talvez, cuidasse dessa casa como se fosse dela. Mas isso não se pareceria novamente com a pessoa que eu esperava encontrar.
— Isso é um aparelho de DVD? — Perguntei assim que me aproximei da estante de televisão da sala de estar.
— Sim. — Mariana respondeu rindo pelo nariz e se aproximando também. — Minha mãe quis deixar as coisas exatamente como estavam quando você voltasse, e isso inclui o aparelho de DVD. — Ela disse passando a mão nele, com um sorriso divertido nos lábios.
— Sua mãe manteve essa casa? — Questionei curioso e ela assentiu.
— Claro, nós duas costumávamos muito vir aqui quando eu era criança, principalmente quando ela sentia muito a sua falta. — Ela deu de ombros e me olhou com a testa franzida. — Achei que você tinha visto o closet do quarto lá de cima. Suas roupas ainda estão lá! — A olhei e franzi a testa, tentando assimilar aquela informação.
— Minhas roupas?
— Sim, como eu disse, ela sempre deixava tudo arrumado para caso um dia você voltasse. — Ela voltou a dar de ombros.
— Mas, ela não seguiu em frente? Se casou com Dan. — Falei como se aquilo fosse óbvio, mas Mariana franziu a testa, dessa vez com um ar de dúvida.
— Ela fez isso depois de anos, talvez uma forma de dizer para ela mesma que tinha seguido em frente e desistido de esperar, quando na verdade, ela nunca desistiu. Mas, isso é nítido, não é? — Não respondi, apenas dei de ombros.
Fiquei pensativo. Aquela informação tinha realmente mexido comigo, me deixando ainda mais confuso do que eu vinha ficando conforme ia descobrindo as coisas que aconteceram nesses anos em que estive "desaparecido".
— E eles têm uma boa relação? — Mariana que estava posicionando algo na prateleira, se virou para me olhar.
— Ah, sim. — Ela deu de ombros. — Para ser sincera, nunca vi os dois brigarem ou algo do tipo. Mas, eu acho que isso é porque eles estão mais para amigos do que para um casal romântico. — Eu ri pelo nariz.