Capítulo 9

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Dulce María

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Dulce María

Era minha primeira semana de trabalho, mas eu estava rezando para que sexta-feira chegasse logo. E ela chegou.

Peguei carona com Christopher de manhã cedo e fomos conversando sobre várias coisas, como de costume. Chegando no escritório, cada um foi para a sua sala e não nos vimos mais.

Quando chegou o fim do expediente, eu bocejei profundamente enquanto desligava meu computador. Não tinha nada melhor do que saber que eu poderia dormir até tarde no próximo dia.

Peguei minhas coisas e sai da minha sala, olhando diretamente para a de Christopher, me dando conta de que estava tudo desligado. Porque será que ele foi embora mais cedo?

Desci as escadas e lembrei de algo. Todas as sextas-feiras Christopher saia das 18h às 20h pra se reconectar com seu irmão mais velho. Olhei para o relógio. Realmente era 20 pras 18h.

Peguei um táxi e fiquei lendo meu livro. Essa era a desculpa perfeita pras pessoas não conversarem comigo dentro do carro, pois minha bateria social estava sempre por um fio no fim do dia.

No meio do caminho, um temporal incansável começou. Eu estava ficando nervosa, pois quase não enxergava nada da janela do táxi. Minha sorte é que, em seguida, ele já estava estacionando na frente da minha casa.

Paguei ao senhor, o agradeci e saí correndo do carro, em direção a minha porta. Algumas gotas de chuva caíram sobre mim, indicando o quanto estavam geladas.

Tentei abrir a porta sem sucesso e ergui para o outro lado, tentando enxergar o que eu estava fazendo de errado. Foi quando o vi, completamente estranho, tentando abrir a porta da sua camionete.

O que diabos ele está tentando fazer?

— Chris? — O chamei em um grito. Mas ele não se mexeu, só tentava ficar apertando o alarme do carro, tentando abri-lo debaixo daquela chuva violenta. O observei e percebi que suas mãos tremiam. — Christopher? — Chamei mais uma vez e nada. Ele continuava da mesma forma.

Respirei fundo e corri novamente na chuva, até onde ele estava. Toquei sem ombro e o mesmo olhou pra mim, completamente encharcado, mas eu percebi que tinha algo estranho. Ele parecia exageradamente nervoso.

— Você está bem? — Perguntei franzindo a testa.

— Eu... eu... — Ele disse tentando falar, mas era como se estivesse sem ar. Seu olhar desviou do meu e percebi que ele parecia perdido.

— O que acha da gente entrar e você trocar essa roupa molhada? — Ele balançou a cabeça, negando.

— Não dá. — Ele disse gaguejando, me fazendo estranhar ainda mais aquela situação. — Me...meu... — Ele engoliu em seco, parecia irritado por não conseguir falar.

— Porque não, Chris? Não podemos ficar aqui pegando chuva, ou ficaremos doentes. — Ele bufou bravo e se afastou de mim. — O que você tem? — Franzi a testa novamente. Ele me olhou com cara de choro, o que fez com que eu ficasse preocupada.

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