Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Inverno de 2005
Dulce María
Três dias foram o suficiente para eu organizar meus pensamentos e entender que precisava dar um jeito na minha vida.
As buscas oficiais haviam sido abandonadas, deixando o caso inconclusivo e cheio de teorias.
Meus amigos foram o ponto crucial para me sacudir e me fazer entender que eu precisava de um tempo para entender minha gravidez. Longe de tudo e de todos.
Não, eu não desisti de encontrar Christopher. Algo dentro de mim ainda me diz que ele está em algum lugar, esperando que eu o encontre. Mas, eu sabia que Antônio estava a frente disso e poderia continuar as buscas enquanto eu estivesse fora por um tempo.
Por isso, estou indo até a empresa para conversar com ele. Com minhas malas prontas, preparada para embarcar para o Brasil. De novo.
— Sr. Antônio? — Falei assim que entrei no escritório dele.
— Dulce, querida. Por favor, entre. — Ele disse com um pequeno sorriso no rosto. — Não me diga que você veio me pedir para voltar — Ele falou em tom de desaprovação.
— Não, é que... — Engoli em seco, reunindo todas as minhas forças. — Eu vou passar um tempo no Brasil, com a minha família. — Ele me pareceu surpreso. — Sr. Antônio, eu sinto que estou me afogando nessa tristeza imensa e que não vou sair dela tão cedo. — Senti um nó se criar em minha garganta e me segurei para não chorar.
— Por favor, Dulce, fique. — Ele disse erguendo sua mão para pegar a minha. — Você foi a única pessoa que me sobrou. — Senti meu coração apertar e meus olhos se encherem de lágrimas. Eu não podia, eu precisava me priorizar.
— Eu sei disso. — Sorri sem mostrar os dentes. — Mas eu não posso estar afogada nessa depressão quando sua neta ou seu neto nascer. — Antônio me olhou incrédulo. Eu sabia que tinha acabado de pegá-lo de surpresa.
— Você está grávida? — Eu assenti, sorrindo de canto.
— Me desculpa jogar essa bomba assim, mas, eu quero que o senhor entenda o porquê da minha decisão. — Eu apertei sua mão. — Eu volto, porque minha intenção não é deixar esse bebê longe do seu avô. — Ela abriu um sorriso sincero, mesmo que triste.
— Essa é a melhor notícia que você poderia me dar, Dulce. — Ele assentiu e por um minuto, achei que seus olhos estivessem repleto de lágrimas. — Pelas minhas contas, esse bebê nasce em outubro.
— Acredito que sim. — Falei sorrindo de canto, surpresa pela conta rápida que ele havia feito. — Meu plano é ficar por um tempo, rezando para que Christopher seja encontrado antes desse bebê nascer. — Engoli em seco novamente e Antônio assentiu.
— Ele será, querida. Ele será. — Ele disse tirando sua mão da minha. — Eu consegui entrar em contato com os melhores detetives particulares e eles estão verificando tudo para mim. Tenho certeza que o encontraremos em breve. — Eu assenti, talvez não com a mesma esperança que ele. — Enquanto isso, tudo o que você precisar, você pode contar comigo, Dulce. Irei te visitar sempre que eu puder, e assim que você se sentir pronta, poderá voltar.
— Obrigada, Sr. Antônio. — Falei suspirando. — Tenho certeza que você o encontrará logo.
— Eu não vejo a hora de encontrá-lo e poder me desculpar por ser tão duro com ele. — O senhor da idade na minha frente se levantou, com as mãos no bolso da calça e o olhar distante. — Ele me odiava, não é? — Franzi a testa e me levantei da cadeira também, o olhando.
— Não, ele não lhe odiava. — Sorri de canto. — Eu só acho que vocês dois possuem personalidades diferentes, e não conseguiam se acertar. — Dei de ombros e Antônio assentiu. — Ele sempre quis algo da vida dele que o senhor nunca conseguiu entender.
— Da mesma forma que eu não me acertava com Mariano. — Senti um ar de tristeza e arrependimento engolirem aquele ambiente, e então suspirei. — E nem muito menos o entendia.
— Tenho certeza que ambos amavam o senhor da forma deles, assim como o senhor os amou da sua melhor forma. — Ele riu pelo nariz e assentiu.
— Fico com pena de você não ter entrado em nossas vidas antes, querida.
— Obrigada, Sr. Uckermann. — Ele tocou meus cabelos e me deu um breve abraço, com certeza o que ele poderia oferecer.
Eu sempre tentei ver o melhor das pessoas, mesmo que fosse difícil. Apesar de Christopher não ter uma boa relação com o pai, eu sabia que Antônio fazia o que podia por ele. De uma forma bruta e pouco compreensiva, mas ele tentava.
Por isso, sempre incentivei Christopher a contar suas ideias ao seu pai. Sabia que no início poderia ser difícil, mas que tudo poderia se organizar no futuro.
Ele cresceu com medo dessa conversa, com medo do que aquilo poderia lhe causar. Mas, ultimamente, eles estavam com uma relação melhor e talvez, só imaginando, Antônio compreendesse o filho e o incentivasse a abrir seu próprio restaurante.
E me dói saber que até agora, essa conversa não aconteceu.
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A coisa mais difícil depois de passar na Licença, foi passar para a área de embarque. Eu sempre odiei despedidas.
Abracei Dan, Mabel e Peter. Falei várias coisas pra ele antes de deixá-lo. Doía o fato de não ver grande parte de seu crescimento, afinal, eu sempre estive por perto.
Sequei as lágrimas de Anahí, abracei Poncho, Pablo e Christian. Eu sentiria falta de cada um deles com todo o meu coração.
Maite e Andrés ficaram por último, e senti como se eu estivesse deixando meu coração bem aqui.
— Você promete mesmo que vai voltar? — Maite perguntou soluçando, enquanto segurava meu rosto.
— É claro que eu prometo, boba. — Falei derramando algumas lágrimas. — Como você acha que nossas filhas vão ser melhores amigas? — Maite riu e chorou mais.
— Você nem sabe o sexo dessas crianças, Dulce. — Ela disse fazendo o beiço mais lindo do universo.
— Eu sinto que elas serão assim como nós. Então serão meninas. — Ela sorriu novamente. — Vou voltar logo. Se Deus quiser Christopher estará de volta e eu venho correndo. — Maite assentiu e nos abraçamos uma última vez.
Abanei de longe enquanto passava a catraca, direto para a parte de raio-x. Eu estava deixando meus amigos em lágrimas, como se isso fosse uma longa despedida.
Mas eu sabia que não era. Eu sentia que em breve estaria de volta e sabia que, dessa vez, Christopher estaria me esperando de braços abertos.
Ele prometeu que quando eu acordasse, ele estaria de volta. Então acordarei quantas vezes for necessário, até que ele volte pra mim.
♥
Finalizamos mais uma fase da fanfic. Espero que estejam gostando, prometo que os dias de glória virão assim que possível. Volto em breve. Besos da Blan ♥