Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Inverno de 2023
Christopher
Entreguei o espumante que Dulce pediu e sai de perto de novo. Eu não entendia porque, mas qualquer cantada que Guillermo jogava em cima de Dulce, me deixava com raiva.
Eu não podia me descontrolar, então resolvi dar uma volta e conhecer as pessoas que estavam presentes no evento. Conversei com uma e outra, entreguei alguns cartões, mas quando me cansei, decidi dar uma volta pelo jardim dos fundos do hotel.
Sentei em um banco que havia na frente de uma fonte feita de pedras e mármore. A escultura ao meio dela era de uma sereia, e o som da água que caía dela era tranquilizante.
A arquitetura do lugar era realmente muito bonita, sinal de que Dulce aprovava projetos incríveis apesar de não ser formada no ramo.
Porque diabos estou pensando nela de novo?
— A lua dessa noite está realmente muito bonita. — Virei o rosto vendo Dulce se aproximar e sentar-se ao meu lado. Esse vestido vermelho realmente a tinha deixado deslumbrante.
— Se eu dissesse que vim aqui para fora por causa dela, estaria mentindo. — Dei de ombros e escorei as costas no banco, suspirando e olhando para a fonte.
— Você acredita que o Sr. Mateo queria um flamingo cuspindo água pela boca no meio da fonte? — Ela disse rindo pelo nariz. A espiei pelo canto do olho e ela também estava olhando para a fonte.
— E o que fez ele mudar de ideia? — Falei cruzando os braços e foi a vez dela de escorar as costas no banco.
— Eu sei negociar. — Ela deu de ombros e continuou olhando para a fonte. — Eu sou boa em convencer as pessoas.
— A fazerem o que você quer? — Ela me olhou com a testa levemente franzida, sem entender muito bem o teor daquela pergunta.
— No trabalho sim. — Ela disse desviando seu olhar para o céu. — Não é tão difícil convencer um cliente quando você tem lábia e bom gosto. — Ela deu de ombros e eu assenti rindo.
O céu realmente estava muito bonito naquela noite, mas meu rosto automaticamente vira em direção a ela, tudo isso porque, por algum motivo que eu desconheço, prefiro olhá-la.
Enquanto Dulce encara a lua em silêncio, eu observo cada detalhe de seu rosto. Era como se eu quisesse gravar na mente cada parte dele para não esquecer. Não de novo.
Quando ela nota o que estou fazendo, Dulce me olha de volta e nós ficamos desse jeito, encarando um no olho do outro por bastante tempo.
— Você sabia que inventei algumas teorias na minha cabeça de onde você poderia estar nesses anos? — Franzi a testa de leve. Droga! Esse assunto de novo, como se ela não soubesse que eu estava vivo.