Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Inverno de 2023
Peter
Deixei Carolina em casa mesmo que ela me sugerisse que dormíssemos juntos.
Pra ser sincero, eu não conseguiria deixar Mariana sozinha em um momento desses. Eu sabia que ela não estava bem, e precisava ter certeza que ela não estava sozinha.
Eu e Mariana sempre entendemos um ao outro, principalmente quando se trata de luto, quando se trata de dor.
Ela sempre esteve em todos os momentos da minha vida, inclusive no pior dele. Eu não poderia deixá-la sozinha quando seu mundo estava desabando.
Eu a tinha visto minutos antes de ela encarar seu próprio pai. Seus olhos estavam brilhantes pelas lágrimas, seu rosto estava vermelho, assim como a ponta do seu nariz.
Ela não estava bem antes mesmo de encarar a situação de frente.
Cheguei em casa cerca de meia hora depois que eles. Quando entrei, Dulce estava sentada no sofá, olhando para o nada, completamente pensativa.
— Dinda, tá tudo bem? — Ela ficou surpresa ao me ver e rapidamente secou uma lágrima fujona.
— Oi Peter, não vi você aí. — Ela disse sorrindo de canto, completamente sem jeito. — Está tudo bem sim.
— E meu pai? — Questionei com a testa franzida.
— Foi buscar algo para comer. — Ela deu de ombros e olhou para aliança em seu dedo, mexendo na mesma.
— A Lali voltou com vocês? — Perguntei preocupado.
— Claro. Ela está no quarto dela, me pediu para ficar um pouco sozinha. — Dulce suspirou. — Ela disse que estava bem, mas estou preocupada. Acho que tudo que aconteceu foi uma decepção muito grande para ela.
— Acho que vou tentar vê-la antes de ir pro meu quarto. — Falei virando de leve em direção a escada.
— Quer dizer então que alguém conseguiu fisgar esse seu coraçãozinho? — Ela disse em tom de brincadeira e eu sorri sem graça. — Vocês se conheceram na faculdade?
— Sim. Eu gosto muito de Carol, e nos damos muito bem. Tem tudo para dar certo. — Dulce assentiu, mas parecia me olhar desconfiada.
— Peça desculpas a ela por eu não ter conseguido atendê-la da melhor forma. Realmente foi tudo um caos. — Ela suspirou e eu assenti.
— Tudo bem, Dul. Ela não ficou chateada. — Eu sorri sem mostrar os dentes. — Vou ir ver a Lali.
— Vê se você consegue fazer um pouco de companhia para ela. Qualquer coisa me avisa, tudo bem? — Vi seus olhos brilharem pelas lágrimas que nasciam ali novamente.
— Claro, dinda. Te chamo se achar que for necessário. — Sorri para ela sem mostrar os dentes. — Boa noite!
— Boa noite, Pe! — Ela disse abaixando o rosto novamente e olhando para a aliança em seu dedo.