Capítulo 50

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Outono de 2023

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Outono de 2023

Christopher

Acordei na manhã seguinte sentindo alguns raios de sol passando por uma fresta da cortina. Bocejei, sentindo um peso em meu peito. Olhei para baixo e sorri ao ver Dulce dormindo perfeitamente leve em meus braços.

Cheirei seus cabelos profundamente, sentindo aquele cheiro de morango irreconhecível. Aquele com certeza era o meu perfume favorito da vida inteira.

Ela se remexeu, esfregando seu rosto no meu peito e logo levantando os olhos para me olhar. Suspirei completamente entregue ao que estava sentindo.

— Bom dia! — Ela disse abrindo um sorriso largo.

— Bom dia! — Respondi abrindo um sorriso também.

— Nossa! — Ela disse se espreguiçando, se afastando e se deitando no travesseiro ao lado do meu. Me virei para olhá-la. — Não costumo acordar com fome, mas hoje estou com tanta que até estou sentindo cheiro de café da manhã. — Ela riu pelo nariz e eu franzi a testa, pois também estava sentindo cheiro de café da manhã.

— Não, espera. — Falei me erguendo um pouco. — Eu realmente acho que a casa está cheirando a comida. — Nós ficamos em silêncio, escutando um barulho que vinha do andar de baixo. — Quem será? — Franzimos a testa e Dulce deu de ombros.

Nos levantamos quase que imediatamente. Dulce saiu caminhando e eu coloquei uma calça de moletom, antes de descer as escadas e dar de cara com Mariana na cozinha. Ela mexia algo na panela enquanto cantarolava alguma coisa.

— Bom dia, dorminhocos! — Ela disse sem sequer olhar para trás, apenas sentindo nossa presença. Eu e Dulce nos olhamos e nos aproximamos dela. — Não precisam ficar com vergonha de mim, pombinhos. O que eu vi ontem já foi o suficiente para entender. — Ela virou o rosto fazendo uma careta engraçada.

— Bom dia, princesa. — Eu disse beijando seu rosto. Dulce fez o mesmo, permanecendo mais tempo com a boca grudada na bochecha da nossa filha.

— Como soube que a gente estava aqui? — Dulce perguntou se afastando. Mariana sorriu e deu de ombros.

— Eu não vi você em casa, então vim até aqui e as roupas jogadas no sofá meio que entregaram. — Ela ergueu a cabeça indicando. — Não subi pra não ficar traumatizada. — Ela arregalou os olhos de leve e a gente riu, um pouco sem jeito. — Por isso, decidi fazer esse café da manhã para celebrar esse momento. — Ela disse voltando pro fogão.

— Celebrar? — Eu perguntei com a testa franzida, sentando na bancada que ela já tinha organizado com algumas coisas.

— Sim, celebrar o fato de que vamos viver momentos como esses até não podermos mais agora. — Ela sorriu e senti meu peito afundar. Era óbvio que aquilo era como um sonho para ela. Dulce jogou um olhar cúmplice para mim e sorriu.

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