Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Outono de 2023
Christopher
Passei quase uma hora dentro do escritório tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Tentando buscar explicação para que aquele documento chegasse até as mãos de Dulce se eu nem sequer o tinha solicitado.
Liguei para meu advogado, mas ele estava ocupado e não conseguiu me atender, então, peguei minhas chaves e corri para o condomínio. Precisava fazê-la entender que eu não fazia ideia do que estava acontecendo.
Desde que cheguei ao México, era como se eu não tivesse controle de mais nada. Todo dia era uma surpresa diferente, e nem sempre ela era boa.
Quando estacionei o carro na frente de casa e desci, me preparando para bater na porta da casa de Dulce, vi que Natália estava saindo da minha cheia de malas e uma mochila. Ela estava pronta para voltar para a Itália.
Respirei fundo e me aproximei, chamando a atenção dela.
— Oi! — Ela disse sorrindo de canto, de uma forma triste. — Meu voo sai daqui 2h, então como preciso despachar uma das malas, resolvi me adiantar. Achei que não íamos nos ver.
— Precisei vir para casa com urgência. — Falei coçando a testa. — Está tudo certo com sua viagem? — Ela assentiu.
— O que é isso? — Ela perguntou apontando para os papéis que estavam em minha mão.
— São os papéis do divórcio que chegaram nas mãos da Dulce e eu até agora não faço ideia de como. — Suspirei e Natália mudou seu semblante rapidamente, abaixando a cabeça. — O que foi?
— Faz alguns dias que vi seu computador dando bobeira em cima da mesa da sala de estar. — Ela mordeu o canto da boca, completamente sem jeito. — Enviei um e-mail para seu advogado, solicitando esses papéis. — Franzi de leve a testa, absorvendo aquela informação. — Desculpa, Christopher, eu realmente achei que era uma forma de resolver as coisas. Eu não... — Ela riu pelo nariz. — Eu não achei que você poderia estar apaixonado por ela quando fiz isso. — Senti uma certa raiva me invadir, mas ao mesmo tempo sentia pena de Natália.
— Puta que pariu. — Falei bufando. Ela abaixou a cabeça completamente sem jeito. O fato é que não tinha porque eu discutir algo com ela agora, sendo que a mesma estava indo embora.
— Sinto muito. — Nos olhamos por alguns segundos e eu apenas assenti.
— Você faz bem voltando para Itália, Nati. Vai fazer bem para você. — Falei sério e ela assentiu. — Espero que você seja feliz.
— Eu também espero que você seja feliz, Ucker. — Ela sorriu de canto e eu assenti, logo passando por ela e entrando em casa.
Larguei algumas coisas em cima da mesa e corri para a porta do jardim, que separava minha casa da de Dulce. Talvez fosse mais fácil conseguir entrar por lá.
Abri a porta e me deparei com Mariana deitada nas pernas de Peter abaixo da macieira. Ele estavam rindo de alguma coisa enquanto ele acariciava os cabelos dela de forma carinhosa.
Franzi a testa confuso. Ela não está namorando o filho do Poncho?
— Lali? — Me aproximei chamando a atenção dos dois. Ela se levantou rapidamente e me olhou com a testa franzida.
— Pai? — Ela ficou de pé e se aproximou de mim. Peter fez o mesmo, mas ficou parado abaixo da macieira. — Aconteceu alguma coisa? Você também veio mais cedo?
— Ah filha. — Falei suspirando. — Sua mãe recebeu os papéis do divórcio e não me deixou explicar.
— Você pediu o divórcio? — Ela parecia decepcionada.
— Não. — Balancei a cabeça. — Eu estava sem entender como que ela havia recebido os papéis. Encontrei Natália agora na saída e ela me explicou que enviou um e-mail para o meu advogado como se fosse eu solicitando os documentos. — Suspirei alto e Mariana riu pelo nariz, colocando as mãos na cintura.
— Não me surpreende que ela tenha feito algo assim. — Ela balançou a cabeça e mordeu o canto da boca. — Então você não quer o divórcio? — Balancei a cabeça, indicando que não. Mariana sorriu de canto.
— Vai, pergunta o que você quer perguntar. — Falei rindo pelo nariz.
— Vocês estão juntos? — Seus olhos brilharam de uma forma fofa. Ela parecia animada apenas com a hipótese.
— Não sei se dá pra dizer que estamos juntos, porque tem muita coisa acontecendo. — Eu suspirei. — Mas sua mãe é diferente de qualquer mulher que eu já tenha conhecida, eu... — Cocei a nuca um pouco sem jeito, enquanto Mariana me olhava parecendo uma criança que ganhou um brinquedo novo. — Ela está em casa?
— Sim. — Ela disse assentindo e olhando para dentro de casa. — Mas ela pegou no sono faz pouco tempo, e eu queria mesmo que fosse subisse para conversar com ela, mas... — Ela mordeu o lábio inferior.
— Mas ela não dormia faz tempo. — Ela assentiu, abaixei a cabeça suspirando baixinho.
— Eu posso conversar com ela quando ela acordar. — Levantei a cabeça para olhá-la. — Se ela não te procurar para conversar, eu te aviso quando ela acordar.
— Tudo bem, princesa. — Falei tocando sua cabeça, puxando-a para um abraço.
— Eu fico feliz que vocês estejam se resolvendo. — Ela disse abraçada a mim, com a cabeça grudada em meu peito. — Eu acho que ficamos tempo demais separados. Nós três. — Passei a mão nos cabelos dela.
— Você tem razão, filha. — Beijei seus cabelos e ela se afastou me olhando.
— Quer ficar aqui com a gente? — Eu sorri de canto e neguei com a cabeça.
— Preciso resolver algumas pendências. Eu volto caso sua mãe não apareça para conversar. — Ela assentiu e eu me despedi, voltando para casa.
Mariana tinha razão quando disse que Dulce precisava dormir porque não dormia bem há dias, mas confesso que eu estava ansioso.
Queria que ela me escutasse e entendesse o que eu estava sentindo, e que mesmo que minha memória não se lembre dos momentos que passamos juntos, meu coração se lembra exatamente como amá-la.
♥
Desenrolando um pouco a parte dos papéis do divórcio. Os mimos estão chegando, viu? Não fiquem ansiosxs. Volto em breve. Besos da Blan ♥