Capítulo 25

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Inverno de 2023

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Inverno de 2023

Dulce María

Peguei um voo quase de madrugada para Guadalajara, dando graças a Deus que Christopher sempre odiou acordar cedo e essa característica nele não havia mudado nada.

Por isso, tudo foi de extrema tranquilidade. Eu pude ler um livro, comer meu café da manhã, tirar um cochilo e tomar um banho de banheira. Tudo isso antes do almoço.

Apenas paz e harmonia, sem problemas ao meu redor.

Uma pena que nem tudo são flores, pois no momento em que fiquei tempo demais parada, os pensamentos decidiram tomar conta do meu cérebro.

Desde que eu e Christopher voltamos a estar em pé de guerra sinto como se eu tivesse voltado no tempo. A sensação que eu tinha é que estava vivendo nosso relacionamento do início, e isso me afetava completamente. Um jeito estranho de sentir uma certa esperança, e eu me odeio por isso.

Me sinto completamente confusa e dividida o tempo inteiro. Quando ele se aproxima demais, mesmo que seja para me retrucar, eu sinto minhas pernas ficarem bambas, um arrepio subir pela nuca e o coração ficar tão acelerado parecendo que vai pular de dentro do peito.

Me sinto a pessoa mais sem caráter do universo. Sinto que traio toda a ética que existe dentro de mim, e principalmente, a cada segundo sinto que estou traindo Daniel.

Mas ao mesmo tempo eu sei que é algo que não posso controlar. Meu corpo apenas reage a ele, apenas se entrega a qualquer momento que estamos juntos. Uma espécie de veneno que a todo momento eu fico tentada em beber.

Tento afastar todos esses pensamentos levantando da cama, pegando meu computador e seguindo para o restaurante do hotel. É mais fácil se eu ocupar a cabeça com o almoço e o trabalho.

Começo a responder todos os e-mails que recebi nesse tempo em que tirei para mim. Além de responder as mensagens que estão em meu celular, principalmente as de Mariana.

— Ser diretora de empresa e mãe realmente não deve ser uma tarefa fácil. — Sinto meu coração disparar assim que ergo o rosto e vejo Christopher de óculos escuros e cabelo molhado.

— Realmente, nunca foi uma tarefa fácil. — Falo de uma forma neutra, me preocupando em não transparecer o quão bonito ele está. — Mas eu me viro. — Dou de ombros e ele puxa a cadeira, mesmo não sendo convidado para se sentar.

— Mariana disse que está se sentindo melhor, mas não tenho certeza. — Eu olho para ele e minha guarda abaixa no momento em que o vejo preocupado.

— Ela está melhor sim, pode acreditar. — Falo sorrindo de canto. — Ela ficou um pouco com o nariz trancado depois daquilo, mas logo ficou melhor.

— Fico mais tranquilo ouvindo isso. — Ele dá um pequeno sorriso de novo e volto a minha atenção para o computador.

— Você já pediu? — Voltei a olhar para ele com a testa um pouco franzida. — Posso almoçar com você? — Assenti, sentindo meu coração disparar. Ô merda!

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