Capítulo 18

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Inverno de 2023

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Inverno de 2023

Christopher

Acordei cedo no sábado pela manhã, rezando para que Natália estivesse com sono o suficiente para não querer levantar e me acompanhar. Mas, foi em vão, pois ela estava incrivelmente disposta a isso.

Demorei um tempo para achar um local para estacionar na frente do cartório. Natália foi tagarelando o caminho inteiro, comentando sobre lembranças que tínhamos juntos.

Eu gostava da vida que eu levava com ela, do nosso relacionamento aberto, mas, eu detestava quando ela falava demais. Era difícil de escutar.

Para ser sincero, eu gosto da companhia dela e permiti que ficasse em minha vida depois de vivermos algo dolorido juntos. Ela era a única pessoa que compartilhava algo comigo. Pelo menos era, até chegarmos ao México.

Peguei os documentos que o advogado me deu das mãos de Natália e caminhamos até a entrada do cartório juntos. Seria rápido, era só entregar os documentos, pegar o que era meu e sair.

— Ursinho, o que você acha da gente aproveitar que já estamos no cartório e nos casarmos? — Eu sabia que ela estava falando de brincadeira, mas senti um tom de verdade em sua fala.

— Claro, Nat. Eles realmente marcam o casamento no mesmo dia. — Falei rindo pelo nariz e com tom de ironia.

Retirei uma senha e me sentei para aguardar ser chamado. Eu estava ansioso para saber se eu ainda tinha imóveis em meu nome sem ser a casa dos meus pais. Eu obviamente não poderia ficar lá.

Uma atendente me chamou. Eu entreguei as documentações do advogado para ela e comentei o que eu precisava. A mesma me pediu uns minutos e se retirou para verificar.

Olhei para Natália. Ela estava concentrada em seu celular, passando algo aleatório na tela. Fazia dias que parecia completamente impaciente, e eu tinha uma certa ideia do porque. Ela estava mesmo incomodada com o fato de eu querer ficar.

— Aqui estão os documentos, senhor. — A moça retornou chamando a minha atenção. — As escrituras dos imóveis que estão no seu nome. São 3, uma casa, uma casa dentro do condomínio e uma parte de uma casa em Puerto Vallarta. — Ela explicou, enquanto eu analisava os papéis. — E aqui está sua certidão de casamento. — Franzi a testa quando ela disse isso.

— Na verdade, eu pedi minha certidão de nascimento. — Comentei, imaginando que ela tivesse cometido algum tipo de erro.

— Sim, é que quando uma pessoa se casa, o documento de certidão válido é o de casamento. — Franzi a testa enquanto ela empurrava o papel em minha direção. — Aqui consta que o senhor se casou com sua esposa em janeiro de 2005. — Que?

Meus olhos buscaram todas as informações daquele documento. Tinha meu nome e o nome de Dulce.

Como assim eu sou casado com Dulce? Ela não é casada com Daniel?

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