Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Inverno de 2023
Christopher
Eu e Daniel nos encaramos profundamente quando Dulce saiu caminhando atrás de Mariana. Ele parecia furioso e prestes a me atacar se eu desse um passo atrás dela.
— É melhor você ficar longe delas, Christopher. — Ele disse sério. — Eu faço questão de lembrar você que nós deixamos de ser amigos há alguns anos atrás, e eu não pretendo retomar essa amizade ou sequer deixar que você faça mal para Dulce novamente. — Ele falou apontando o dedo na minha cara. — Espero que você tenha entendido este aviso!
Suspirei profundamente quando ele terminou de falar, virou as costas e saiu. Seu olhar era intimidador, e a impressão que eu tive foi que ele faria qualquer coisa pela esposa. E com razão.
— Ucker, o que foi que você fez para que Dulce saísse daquela forma? — Anahí me questionou preocupada.
— Eu coloquei um papel em meio a outros documentos e a fiz assinar a entrega de suas ações sem que ela soubesse. — Dizer aquilo em voz alta me fez perceber o quanto eu era um babaca.
— Como você conseguiu, Christopher? — Olhei para Maite e praticamente me encolhi ao ver o desprezo em seu olhar. — O que foi que aconteceu com você nesses anos?
— Vocês precisam parar de julgá-lo e entendê-lo melhor, afinal, vocês eram amigos dele antes de Dulce chegar na vida de vocês. — Natália falou e eu fechei os olhos, abaixando a cabeça quando Maite bufou de raiva.
— Garota, você não tem vergonha não? Você acabou de falar o maior absurdo que eu já escutei. — Voltei a olhar para Maite. Para ser sincero, eu estava surpreso ao vê-la agir daquela forma. Minha prima nunca foi de falar muitas coisas e nem sequer atacar outra pessoa.
— Acho melhor você ir embora. — Poncho disse olhando diretamente para Natália, que o encarou incrédula.
— Ótimo! — Ela disse irritada. — Vamos, Ucker! — A mesma falou enroscando seu braço no meu. A empurrei levemente.
— Vai indo para o hotel, Nati, prometo que vou logo em seguida. — Natália franziu a testa ao me olhar. Eu assenti e ela bufou sem paciência.
— Ok, vejo você lá. — Natália saiu irritada sem se despedir de ninguém, me deixando ciente do estresse que eu teria assim que colocasse meus pés no hotel.
— Você ficou maluco de vez mesmo. — Anahí comentou, balançando a cabeça séria. — Você nunca quis nada sério com essa mulher. O que diabos deu em você?
— Eu estou confuso. — Falei mudando de assunto. — Passei anos escutando uma história, e quando eu chego aqui, nada faz sentido. — Engoli em seco. — Se Mariana é minha filha, porque meu pai não me disse isso quando me encontrou?
— Eu não sei quais foram os motivos do seu pai, Ucker, mas Mariana é sim sua filha. — Poncho disse com a paciência que as meninas não estavam tendo.