Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Christopher
Levantei no horário certo na manhã seguinte. A ideia era conseguir dar carona para Dulce, mas foi em vão, pois assim que sai me dei conta de que ela não estava em casa. Porque será que ela saiu mais cedo hoje?
A verdade é que eu só queria a chance de explicar para ela o que tinha acontecido na noite anterior. Afinal, Natália simplesmente invadiu minha casa sem ser convidada para entrar.
Larguei minhas coisas em minha sala, dei uma breve revisada nas agendas que eu tinha no dia junto com a Alicia, e depois bati na porta do escritório dela.
Arrumei minha camisa enquanto esperava a mesma abrir a porta.
Porque estou tão ansioso com isso?
— Oi! — Ela disse abrindo um sorriso assim que me viu. Eu fiz o mesmo.
— Oi! Posso entrar? — Falei apontando para dentro. Dulce assentiu e me deu espaço para passar, logo fechando a porta atrás de nós dois.
— Está tudo bem? — Ela me perguntou com a testa levemente franzida.
— Está. Na verdade, vim perguntar se está tudo bem com você. — Falei coçando a nuca. — Achei estranho você não ter esperado pra virmos juntos. — Ela sorriu de leve.
— Está tudo bem, Chris. Eu apenas vim mais cedo porque tinha algumas coisas para resolver. — Ela deu de ombros e passou por mim, caminhando até sua mesa, deixando um rastro do perfume de seus cabelos, que era único. — E eu também não queria atrapalhar de novo.
— Atrapalhar o que? — Franzi a testa e ela me olhou da mesma forma.
— Ué, te atrapalhar com a Natália. Acho que ela não gostou muito de me ver jantando no seu sofá ontem. — Ela riu de leve. — Não sabia que vocês estavam namorando.
— Tenho cara de quem namora, Dulce María? — Eu disse cruzando os braços e ela riu pelo nariz.
— Não muito, Christopher Uckermann. — Ela respondeu mexendo em alguns papéis em cima da mesa dela. — É que ela realmente parecia irritada, cobrando de uma forma como se fosse sua namorada. — Ela deu de ombros e eu balancei a cabeça.
— Longe disso. — Falei erguendo as sobrancelhas. — Nós temos um rolo há tempos, mas nada realmente sério. Pelo menos pra mim isso não é nada sério. — Ela sorriu e me olhou.
— Acho que isso é um problema que você precisa resolver. — Eu assenti e sorri de forma cafajeste.
— Você sabe que eu sempre gostei de ter uma carta na manga. — Ela rolou os olhos. Eu sabia como comentários desse tipo a deixavam profundamente irritada.
— Por um segundo me esqueci o quanto você consegue ser babaca quando se trata de relacionamentos. — Ela apoiou as mãos na mesa, me olhando.
— Eu nunca tive uma namorada. — Eu dei de ombros e coloquei as mãos no bolso da minha calça de alfaiataria.
— E é por isso que você não sabe nada sobre companheirismo, amor e fidelidade. — Ela riu pelo nariz e balançou a cabeça. Eu me aproximei um pouco mais da sua mesa.
— Não é porque eu nunca tive uma namorada, que nunca amei uma mulher. — Apoiei minhas mãos sobre a mesa, da mesma forma que ela, ficando um pouco mais próximo.
— Eu me lembro muito bem de uma conversa que tivemos naquele verão, e você me contou que nunca tinha se apaixonado. — Ela semicerrou os olhos e eu sorri mais um pouco.
— Em dois anos isso pode ter mudado, não acha? — Dulce prendeu seu olhar no meu e deu de ombros. Eu não sabia dizer se ela tinha entendido o que eu havia acabado de dizer, ou não.
— Pode ser, pode ser. — Ela disse se afastando da sua mesa e passando as mãos na calça que estava usando. — Tem alguma coisa que você queira sobre trabalho?
— Não, só vim saber se estava tudo bem mesmo. — Falei me afastando da mesa também. Ela apenas sorriu de canto e me olhou.
— Então, você já pode se retirar, pois tenho muita coisa pra fazer. — Ela disse caminhando até a porta enquanto ria. — Um bom dia pra você, Christopher Uckermann.
— Pra você também, Dulce María.
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A manhã pareceu mais longa do que deveria ser. Meu trabalho ficou extenso porque, por mais que eu me esforçasse para prestar atenção, eu só conseguia pensar em uma pessoa.
Eu achei que depois de sentir que meu coração doía por nada, isso iria passar, que eu nunca mais sentiria isso. Um alívio, não é? Mas, só de vê-la novamente era como se eu tivesse voltado no tempo, pois os sentimentos eram os mesmos.
Com Dulce, eu entendi o que é sentir o frio do estômago, o coração acelerado, a vontade incontrolável de ficar com ela o tempo inteiro. Foi pouco tempo que passamos juntos, e nosso encontro foi o mais intenso que eu já vivi na minha vida.
Quando finalmente chegou o horário do almoço, decidi sair do escritório, até mesmo para pegar um ar, pois não estava mais conseguindo raciocinar.
— O que acha de irmos almoçar juntos? — Levantei o rosto vendo Daniel na frente de Dulce, a convidando para almoçar. Sério mesmo? Esse cara não perde tempo.
— Vou ter que deixar pra outro dia, vou almoçar em casa hoje. Mas, agradeço o convite. — Ela disse colocando a mão no braço dele.
— Eu vou fazer o mesmo, se quiser uma carona. — Eu falei chamando a atenção dos dois. Dulce sorriu sem mostrar os dentes.
— Eu vou aceitar a carona. — Vi Daniel fechar a cara olhando para mim no mesmo segundo.
— Uma pena, mas, podemos ir juntos na missa de domingo, o que acha? — Sério mesmo que ele vai apelar pra esse lado?
— Claro, eu vou adorar. — Ela disse abrindo um sorriso sincero. — Estou tentando encontrar alguma igreja, e ultimamente tô indo na Nossa Senhora de Guadalupe.
— Posso ir junto? — Os dois me olharam surpresos. Até demais. — É legal, gostaria de saber como funciona. — Dulce deu de ombros ainda com a testa franzida.
— Isso é novidade pra mim. — Daniel disse quase num sussurro. — Bom, eu vou indo lá. Nós combinamos sobre a igreja por mensagem, ok?
— Claro! — Dulce disse sorrindo. Daniel a cumprimentou com um beijo no rosto, e logo se retirou, sem olhar na minha cara. Tudo bem, pois isso já estava se tornando comum.
— Vamos? — Perguntei e ela assentiu, caminhando ao meu lado.
— Porque você corta o Daniel toda a vez que ele me convida pra sair? — Ela perguntou me olhando com a testa franzida enquanto descíamos as escadas.
— Sério que você ainda não se deu conta que ele está afim de você? — Ela riu e balançou a cabeça.
— Não, acho que ele entende que somos apenas amigos. — Ela deu de ombros. — E mesmo que ele estivesse afim, eu não estou interessada em relacionamentos agora. — Engoli em seco e franzi a testa.
— Porque? — Eu realmente estava curioso pra saber a resposta.
— Porque eu quero focar na minha carreira. — Ela deu de ombros como se fosse óbvio. — Eu acho que é o que de verdade importa pra mim agora.
Apenas assenti e mudei de assunto. Não queria demonstrar o quanto aquela resposta tinha me incomodado. O motivo? Não sei muito bem, mas acredito que essa resposta tenha sido um fora até pra mim.
♥
E aí, será que a Dulce vai ficar se fazendo de durona dessa forma até quando? Aproveitem o capítulo de hoje, pois agora volto apenas segunda-feira. Besos da Blan ♥