Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Inverno de 2023
Christopher
Faz dois dias que estou praticamente madrugando porque não consigo dormir. Meus pensamentos engolem meu sono, tirando toda a minha sanidade.
O fato de eu sempre sair mais cedo é que, eu sei, que no momento em que eu pegar Natália acordada, vou me estressar. Isso porque ela não vai aceitar os meus motivos para ficar.
Sai do banho secando o cabelo. Assim que retirei a toalha da frente, vi Natália sentada na ponta da cama, olhando muito séria para mim. Acho que não vou mais conseguir fugir.
— Ainda tá difícil de acreditar que precisei madrugar para conseguir falar com você, Christopher. — Ela disse de braços cruzados. Havia fúria em sua voz.
— Você não acha que é muito cedo para discutir? — Suspirei profundamente e ela me olhou incrédula.
— Se eu deixar para depois, você com certeza vai querer fugir de novo. — Ela rolou os olhos. — Você parece estar caindo nos jogos dela de novo Christopher.
— Eu não estou caindo em jogo nenhum, Natália. Eu apenas estou querendo ficar perto da minha filha. — Falei caminhando até a mala de roupas, pegando algo para vestir.
— Você nem sabe se essa menina é sua filha mesmo. Dulce pode estar mentindo. — Ela disse aumentando o tom de voz.
— Eu tenho certeza que essa menina é minha filha. — Falei suspirando e começando a trocar de roupa.
— Como pode ter tanta certeza?
— Ela tem a mesma marca de nascença que eu e meu irmão tínhamos. — Ela me olhou incrédula e se levantou da cama impaciente.
— E qual será o plano, Christopher? Viemos aqui apenas para vender a Licence e voltar para a nossa vida na Itália.
— Os planos mudaram. — Eu dei de ombros.
— E quais são eles agora? Morarmos num hotel? — Ela disse apontando pro quarto.
— Não, eu já vou resolver isso também. — Falei colocando o paletó. — Eu quero fazer isso para me aproximar de Lali, então pretendo ficar um tempo no México.
— E você vai deixar o restaurante sozinho? — Balancei a cabeça.
— Claro que não, Mica está lá para isso. Já conversamos sobre isso. — Ela rolou os olhos impaciente e bateu as mãos nas pernas. — Olha, Nati, você pode ir para a Itália na frente. — Ela me olhou incrédula — Nos encontramos lá, se quiser. Terminamos essa conversa depois, ok?
Virei as costas e sai caminhando, sem dar chance de ela retrucar o que eu havia dito. Eu estava cansado e não queria mais discutir.
Eu sei que posso ter ferido os sentimentos dela, mas se ela quer tanto voltar para a Itália, pode simplesmente fazer isso sozinha. Talvez seja o melhor.