Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Inverno de 2023
Dulce María
Meu dia de trabalho foi intenso, ainda mais porque precisei resolver tudo sozinha, pois Christopher nem sequer apareceu. Me deixou sozinha e perdida nos meus pensamentos desde o que aconteceu.
Talvez ele esteja muito mais confuso do que eu, a ponto de sumir e não assumir suas responsabilidades por um tempo. Tudo bem, eu me senti dessa forma diversas vezes, mas, porque não me diz nada? Não avisa?
Cheguei em casa tarde e bastante exausta. Fiquei horas focada num relatório que precisava terminar logo para enviar para o cliente. Um saco!
Achei estranho que a casa estava silenciosa, isso porque, ainda não me acostumei nesse fato. Antes de tudo acontecer, nós geralmente fazíamos tudo juntos e a casa sempre estava com barulho.
Mas, talvez isso seja algo bom, afinal, eu estava mesmo precisando de silêncio depois da minha cabeça ter ficado barulhenta o dia todo.
Larguei minhas coisas e fui diretamente para a área externa da casa, me sentando na grama mesmo. Respirei profundamente, apoiei minhas mãos para trás e olhei para o céu.
A noite estava iluminada pela lua cheia e as estrelas brilhantes que tomavam conta dele. Realmente uma noite incrível.
Franzi a testa ao escutar um barulho vindo da porta que dava para a casa de Christopher. Mas, meu coração disparou assim que o vi passar por ela.
A única coisa que passou pela minha cabeça naquele momento era que eu estava sem forças para discutir se ele chegasse na defensiva.
— Boa noite! — Ele disse se aproximando com um pequeno sorriso no rosto.
— Boa noite, sumido. — Falei olhando para a cima. — Por onde andou o dia todo?
— Precisei colocar a cabeça no lugar. — Ele suspirou. — Posso sentar? — Apenas assenti e ele se sentou a meu lado no chão, enquanto eu voltava a observar o céu estrelado da noite.
De canto de olho, percebi que Christopher estava perto, mas mantendo uma certa distância. O que era bom, afinal, eu sabia que quando se tratava dele eu pensava mais com o coração do que com o cérebro.
Ele olhou para o céu também e um silêncio dominou o ambiente por alguns segundos. Um silêncio estranhamente reconfortante.
— Sabe, quando Lali era mais nova, a gente vinha pra cá, ficava debaixo daquela macieira... — Falei apontando para a árvore e logo voltando a olhar para o céu. — E eu contava muitas histórias sobre nós dois para ela, respondia todas as perguntas que ela me fazia sobre você. Era um dos meus momentos favoritos.
— E qual era a história que a Lali mais amava? — Virei o rosto para olhá-lo, dando um pequeno sorriso.
— Eram duas. — Dei de ombros e voltei a olhar para o céu. — A primeira vez que andamos de barco juntos e o seu pedido de casamento. — Eu queria muito ver sua reação, mas fiquei com medo que ela fosse negativa, então permaneci olhando para as estrelas.