Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Inverno de 2005
Dulce María
Dois dias foram o suficiente para que o dia do enterro de Alexandra chegasse.
Tentei ignorar o fato de que eu estava grávida, mas Maite não deixou, me acompanhando ao médico nesta manhã cinza.
Para ser sincera, tudo parecia cinza desde que Christopher havia desaparecido.
O bebê estava bem, assim como eu. Mas, isso não tirava o fato de eu estar apavorada por levar uma vida junto comigo para cima e para baixo, ainda mais com dois meses.
Eu já estava grávida antes mesmo de Christopher desaparecer, e eu nem sequer me dei conta disso.
Me despedi de Maite e Andrés, e depois de muito insistir que eu conseguiria ir até o cemitério sozinha mais tarde, eles se despediram e foram embora.
Coloquei minha bolsa em cima do balcão e olhei para o sofá. Minha vontade era de me atirar nele e ficar esperando a morte vir me visitar, mas agora tinha um problema, eu não estava mais sozinha.
Eu estava feliz. Estava feliz porque tinha um pedaço do amor da minha vida dentro de mim, mas a verdade é que eu me sentia triste toda a vez que pensava que ele não estava presente.
A tristeza imensa tomava conta da pequena felicidade que me invadia, e eu não sabia como controlar aquilo.
Engoli em seco sentindo uma lágrima escorrer novamente pelo meu rosto, quando pensei que lá íamos nós novamente para horas chorando e me fundindo com minha própria cama, a campainha tocou.
— Dan? — Falei surpresa ao vê-lo parado na porta da minha casa. Ele usava um terno preto e parecia preocupado.
— Oi, Dul! — Ele abriu um pequeno sorriso. — Me desculpe aparecer sem avisar, mas eu estava preocupado com você. Falei com Maite e ela disse que você ia ao enterro sozinha, então achei melhor te acompanhar. — Ele colocou as mãos para dentro dos bolsos do paletó.
— Obrigada, Dan. — Falei dando espaço para que ele entrasse na minha casa. Eu obviamente não conseguiria dizer não para ele. Nada mudou. — Como está Peter?
— Está ótimo! — Ele se virou para mim novamente com um sorriso no rosto. — Ele aprendeu todas as palavras do mundo e agora desanda a falar todas elas. — Falou em tom de pai orgulhoso. Eu sorri.
— Confesso que estou morrendo de saudade daquelas bochechinhas gorduchas. — Falei sentindo meu coração apertar ao entender que em breve eu teria algumas para apertar.
— Ele também está com saudade da madrinha. — Eu sorri de canto.
— Assim que eu me sentir melhor, prometo que irei visitá-los. — Dan assentiu e colocou a mão em cima do balcão da cozinha. — Eu vou tomar um banho e me arrumar. Você se importa de me esperar aqui na sala?