Quase 18 anos depois do desaparecimento de Christopher, seu pai acaba falecendo e deixando a empresa para sua única neta, Mariana. Dulce por ser a responsável pela menor, acaba tomando as rédeas da situação. Mas, ela não esperava que tudo isso trari...
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Inverno de 2023
Dulce María
Droga, Dulce! O que diabos você pensa que está fazendo?
Minha vontade é de enfiar um tapa na minha própria cara nesse momento. Eu estava prestes a beijar Christopher e ele nem sequer se lembra quem eu sou realmente.
Quando foi que deixei as coisas saírem completamente do meu controle?
Entrei no elevador e escorei a cabeça no mesmo. Estava tarde, e não tinha mais uma alma viva no hotel. É dia de semana, e nem eu mesma deveria estar acordada, principalmente com alguém que me faz agir por impulso dessa forma.
Quando foi que nos aproximamos tanto de novo? Quando foi que paramos de atacar um ao outro?
Eu sou uma idiota!
Olha tudo o que ele fez pra mim desde que apareceu, além de nunca ter me dado espaço para lhe contar meu lado de tudo. Ele é um babaca, pois fica controlando tudo o que ele quer saber.
Quem não lembra de uma pessoa, não deve lembrar de um sentimento, certo? Então porque diabos ele tentou me beijar?
O elevador se abriu e eu saí caminhando em direção a porta do meu quarto. Tirei os sapatos no meio do corredor, pois sentia que meus pés estavam latejando.
Na porta do quarto, abri minha bolsa e tentei pegar o cartão que dava acesso ao quarto. A bolsa caiu no chão e senti uma raiva subir pelo meu corpo, o suficiente para eu grunhir.
— Meu Deus, Dulce María, você não consegue achar uma chave. — Falei atirando os sapatos no chão e me abaixando para pegar minha bolsa. — Qual é o meu problema?
Comecei a mexer na bolsa enquanto sentia um nó imenso se formar na minha garganta. As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto antes mesmo que eu pudesse pensar em secá-las.
Me sinto cansada. Não aguento mais fingir indiferença, fingir que não sinto nada quando ele chega perto, quando ele me toca. É como se minha pele ardesse e meu coração pudesse explodir a qualquer momento.
— Que merda que não acho essa porcaria! — Falei balançando a bolsa com raiva e bufando.
— O que aconteceu? — Meu corpo se arrepiou no mesmo instante em que escutei sua voz. Que merda que nem controle do meu corpo eu tenho mais!
Como se em algum momento eu tivesse tido controle de alguma coisa desde que ele chegou.
— Eu não estou achando meu cartão! — Falei entredentes, sem levantar e nem olhar para ele.
— Eu te ajudo. — Ele disse se abaixando e eu joguei a bolsa junto com os sapatos.
— Eu não quero sua ajuda, Christopher. — Falei levantando e ele me olhou assustado. Tenho certeza que meu rosto está vermelho por causa do choro e da raiva. — Eu não quero nada de você.