6. O beijo.

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POV Andrew.


Meredith olhava os cavalos como se estivesse diante de uma pintura renascentista. O olhar dela carregava algo entre fascínio e encantamento, como se estivesse vendo algo mágico pela primeira vez. E, de certa forma, estava. O sorriso leve, sincero, tinha o poder de me desarmar — sempre teve. A ideia dela sobre o haras ainda rondava minha cabeça. Comprar aquele lugar usando outra pessoa... parecia um plano arriscado, mas não impossível. Se fosse Carina, meu ex-sogro poderia desconfiar ou até tentar algum golpe. Eu o conhecia bem demais para ignorar isso. Não era homem de jogo limpo, nunca foi. Mas se houvesse uma maneira legal, segura e discreta de fazer a compra por meio de terceiros, eu faria sem hesitar.

— Qual nome dele?

— Não é um bom nome — fiz uma careta, lembrando da origem duvidosa da inspiração.

— É um nome bobo?

— Um pouco. Todos eles têm.

— Tá, quero saber.

— Esse é o Donatello.

— Por causa do pintor?

— Por causa das Tartarugas Ninjas... e porque são artistas italianos.

— E você é italiano — Meredith ria abertamente, parecia realmente se divertir com aquilo.

— Sim...

— Não são nomes bobos. São bons nomes... Você gosta do desenho?

— Gostava, quando criança — fiz outra careta, não ia admitir que às vezes ainda assistia. Seria humilhação demais.

— Ainda assiste — a garota era esperta demais, me leu facilmente.

— Quando estou doente, o que não acontece muito... ou frustrado, sabe? Com raiva e querendo desistir?

— Claro... gosto de assistir Gilmore Girls quando estou assim.

— Claro.

— Então tem mais três?

— Três? — a encarei, surpreso.

— Cavalos. Disse que tinha cavalos, no plural.

— Sim, estão no estábulo. Rafaello, Michelangelo e Leonard.

— Claro que usou a pronúncia italiana — ela zombou, divertida.

— Sim — senti uma careta se formar em meu rosto. Meredith tinha esse humor leve, espontâneo, que preenchia os espaços com algo bom. Eu não era assim, mas havia algo nela que me fazia gostar disso. A levei até os estábulos, onde os outros cavalos estavam. Os olhos dela brilharam novamente ao vê-los. Peguei algumas maçãs deixadas por um dos rapazes que cuidava deles e entreguei uma a ela.

— Eles gostam.

— Ah, eu...

— Não precisa ter medo — peguei outra maçã, fui até Michelangelo, abri a palma e deixei que o cavalo visse a fruta antes de pegá-la. — Viu?

— Tá — ela se aproximou cautelosa. — Quem é esse?

— Leonard.

— Oi, Leonard! Gosta de maçã? — Meredith repetiu meu gesto. Vi o leve sobressalto no momento em que a cabeça do cavalo se aproximou da sua mão, mas ela não recuou. — Nossa.

— Você se acostuma — comentei, entregando outra maçã para Rafaello.

— Eles são lindos — ela esticou a mão devagar até a cabeça de Leonard. Para minha surpresa, o cavalo baixou a cabeça, aceitando o carinho. Leonard não era fã de contato, quase nunca permitia isso. Mas com ela... havia algo diferente ali.

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