54. O sofá.

76 11 36
                                        

Pov'Andrew.

Sabe a famosa história do "elefante na sala" durante o restante do dia foi assim, havia um grande, não um gigantesco elefante na sala, Meredith me evitou o máximo que pode, conversou com todos, jogou com eles a brincadeira idiota que inventaram no dia que se conheceram, todos pareciam estar se divertindo, até os adolescentes entraram na brincadeira, Beatriz e Carlos os amigos de Lexie e Thiago adoraram Meredith, que os ensinou a jogar pôquer, depois truco. Ela foi perfeita como sempre, mas não falou comigo mais que três palavras sempre que me aproximava, não sentou ao meu lado quando sentei na poltrona, e eu notei isso, porque sentir fazia, conforme as horas foram passando nossos amigos começaram a ir embora, até restar só os dois adolescentes que eu combinei de levar em casa.

- eu levo eles - Meredith pegou minha mão - você bebeu demais.

- estou bem.

- pode ser que sim, mas os pais deles não vão ficar bem vendo você assim. Vamos - Meredith olhou para o quatro que saíram sem falar mais nada.

- cuidado.

- eu tenho - ela beijou meu rosto - deveria tomar um banho... Vai ajudar.

- vou fazer isso.

Meredith concordou, saiu fechando a porta, fiquei parado uns minutos analisando minha vida, eu sabia que aquela era uma péssima hora para perguntar, mas achei que com o fato de estarmos bem, e a vida dela estando melhor, seus pensamentos sobre ter filhos mudariam, os meus mudaram, eu não pensava mais em ter filhos, até ter ela, acreditei que sei medo se devesse ao fato da sua vida não ser confortável.

;)

Quando Meredith voltou estava na cozinha segurando uma caneca cheia de café, ela me olhou preocupada, pegou uma caneca para si e se serviu de café, sentou no banco ao meu lado e me olhou desanimada, eu conhecia aquele olhar, cheio de pensamentos, sabia que ela tinha muito a dizer.

- desculpa - ela murmurou. E aquela sem dúvidas não foi a primeira coisa que achei que falaria.

- desculpa - falei também.

- não, eu te amo Andrew, amo mesmo, mas não me sinto pronta pra ser mãe, só a possibilidade me apavora.

- você não estaria sozinha, mas não quero brigar com você, acho que não é tempo pra essa conversa... Eu te amo e estou feliz por ter você.

- mas você pensa sobre isso.

- mas eu já tenho um filho.

Não ia tornar aquilo maior que o necessário, Meredith não estava pronta para a conversa, e eu respeitava isso, não era um  tolo de causar uma briga só por algo assim, até porque eu não queria só ter um filho, e queria um com ela.

- mas você quer outro.

- minha menina - toquei seu rosto - eu quero um seu, não um filho... E se não estiver pronta nunca, já tenho um filho com outra mulher - sorri, apesar do meu desejo, estava sendo sincero.

Ficamos nos encarando por um tempo, havia muito a ser dito, mas assim como um pedido de casamento, aquela também não era uma conversa para agora.

- caramba, o clima aqui tá pesado - ouvi a voz de Thiago - só quero água... Podem continuar brigando.

- não estão brigando - Meredith o encarou - estamos conversando, adultos fazem isso.

- sei... Mas pela sua expressão, poderia facilmente matar meu pai - ele abriu a geladeira e escondeu sua risada, pegou duas garrafas com água - só pra constar, gosto de ter um pai.

- Thiago! - Meredith mostrou o mesmo olhar para ele - eu sei pelo menos seis formas de esconder um corpo sem deixar rastros.

- você me dá medo... Boa noite - ele saiu sem falar mas nada.

A PROPOSTA Onde histórias criam vida. Descubra agora