Pov'Meredith.
Me assustei quando ouvi a porta bater com força, me apoiei na penteadeira e comecei a chorar, eu sabia que o que fiz foi covarde, me deixei levar por todo amor que tenho por Andrew, por alguns minutos éramos só nos sem nenhum problema em volta, mas no segundo depois minha mente me trouxe de volta as palavras de Sam, e o silêncio de Andrew.
Me alinhei e segui para o banheiro, fiquei embaixo do chuveiro até conseguir parar de chorar, era uma tortura ter todos meus hormônios a flor da pele, eu chorava atoa, e desejava Andrew a cada segundo, queria ir até o outro quarto e falar "foda-se tudo", mas isso seria permitir que o que aconteceu se repetisse mais um ou duas ou dez vezes, e eu não queria isso.
Quando estava vestida em um pijama sai do quarto e fui até a cozinha para comer algo, encontrei Andrew parado olhando para o nada, ele parecia furioso, acho que nunca ficamos realmente brigados, era horrível.
- estou com fome - falei passando perto dele em direção a geladeira.
- vou te deixar em paz então - ele saiu da cozinha.
Que legal.
;)
- bom dia - entrei na cozinha pela manhã, Andrew e Thiago estavam preparando o café da manhã, o garoto me olhou e fez seu ritual, já o pai só me deu bom dia sem nem me olhar, fazia dois dias que Andrew me ignorava quase que totalmente, só perguntava e falava o básico.
- o papai fez waffles.
- parece bom - fui perto dele - posso? - apontei para o que ele ia tirando da máquina.
- você pode tudo - Andrew falou em um tom, e não aquele de "você pode tudo porque eu te amo", era mais "você pega que quer sem se importar".
- ok - não toquei nos waffles, voltei para mesa e peguei as panquecas que Thiago havia acabado de colocar ali, na guerra de fazer birra eu ganhava.
- pode comer - ele colocou o prato com waffles na minha frente.
- perdi a vontade...
Thiago sentou no seu lugar sem fazer nenhum comentário, começou a comer em total silêncio. Fiz o mesmo, como de tudo menos os benditos waffles.
- tô saindo fora - ele levantou e deixou sua louca na pia, ele sempre fazia isso quando via que o pai e eu estávamos brigando.
- come - Andrew mandou.
- perdi a vontade - falei levantando também.
- você tá sendo infantil.
- só você pode? - perguntei com raiva.
- quer que eu fique sorrindo depois de transar e você me expulsar do quarto? - sua pergunta era tão raivosa quando a minha.
- tenha dó Andrew... Você tem 42 anos... Não 12... Não venha com essa, eu nunca falei que não te queria.
- belo jeito de mostrar isso.
- tá achando ruim porque transamos e eu te mandei sair? - ri, mas não por ser engraçado - você tá magoado por isso? Analisou o meu motivo?
- vai ficar jogando isso na minha cara pra sempre?
- não, mas ainda não esqueci, quer que eu recite o que ela falou enquanto você estava calado.
- não.
- o fato de te desejar prova que eu te amo... E te pedir pra sair é porque eu ainda lembro e sinto pelo que aconteceu... Quer ficar com raiva, problema seu, mas se estamos nessa situação é culpa sua.
