62. O perdão.

59 9 26
                                        

Pov'Meredith.

- quero pedir uma coisa - falei para Maya quando entrei na sala.

- claro, o que precisa?

- quero que chame meu pai aqui, quero conversar com ele sem Lexie. Existem coisas que eu preciso falar, mas que não quero que ela ouça, porque não é sobre eu não a amar ou a culpar por algo, só é o que eu sinto.

- tudo bem, quer fazer isso agora?

- ainda não... Eu quero falar sobre outra coisa primeiro.

- ok, vamos do seu jeito.

Fiquei encarando Maya uns segundos.

- você sabia que eu ia pedir isso - bufei.

- eu esperava que fizesse, isso mostra seu amadurecimento em relação ao que viveu, mostra que quer encarar o passado, mas não quer causar mais danos, você está evoluindo, se curando sem ferir.

- não entendo como funciona isso, mas se tô fazendo certo... Espero que melhore logo.

- vai melhorar. Sobre o que deseja falar?

- eu quero que me ensine como não ter medo de ser mãe um dia.

- Meredith - Maya riu, ela riu de verdade - primeira coisa, todas temos esse medo, eu tive... Nossa, quando eu descobri que estava grávida de Antony, e quando fui deixada, eu pensei em abortar... Estava desesperada porque ia ser mãe solo, meu pai já me exigia grande ajuda, e um filho?

- o que fez você mudar de idéia?

- meu pai, ele me apoiou, falou que estaria comigo, mesmo que fosse difícil, e foi muito difícil, eu nunca sabia o que fazer, mas tive todo suporte. Meu pai me ajudou com Antony, e ele é minha maior alegria. A maternidade não é fácil, mas é gratificante, cada vez que você olha para seu bebê, a cada sorriso, quando o aninha para o amamentar - Maya suspirou - eu descobri que mesmo com medo valia apena viver essa aventura que é ser mãe.

- mas eu lembro de como Lexie chorava.

- Meredith, bebês choram, Lexie só sentia  o peso de tudo, mesmo sendo um bebê... Eles sentem a energia em volta deles, seu bebê nasceria em um lar feliz, com paz, com suporte adequado, sem brigas... E isso é de extrema importância.

- ok, vamos supor que eu decida engravidar, e se eu ficar sei lá com medo no parto?

- você terá Andrew segurando sua mão, Carina, Alex, Helen, Lexie, seus outros amigos, a mim, sou sua terapeuta, e sou sua amiga... Você não vai estar mais sozinha, você não é mais aquela menina que ficava sozinha com um bebê enquanto o pai estava alcoolizado, quero que você entenda que você não está mais trancada naquela casa com medo, as vezes com fome, com frio... Nós já falamos de todas essas coisas, dos medos que sentia... Mas entenda Meredith, você saiu daquele lugar, não dá casa física, mas dá emocional, você saiu dela quando quebrou um padrão, você é uma mulher forte, você luta por seus sonhos, você não espera ninguém voltar para casa. E você não precisa sair e deixar quem você ama para ser melhor  ou ter uma vida melhor, sem ajuda de ninguém....

Maya fez uma pausa.

- quero que me escute bem nisso que vou falar agora... Você não chegou aqui com a ajuda de Andrew ou de qualquer outra pessoa, você nunca se vitimizou, nunca se diminuiu, ou usou de subterfúgios para chegar onde está, hoje você conta com Andrew para ajudar em questões financeiras, mas você superou sua infância difícil sem ajuda, só contando com seu esforço, achou um modo de se manter e ainda manter eles, você trabalhou duro para não viver a vida toda daquele jeito, contando com a sorte, você fez sua própria sorte quando quebrou o padrão.

A PROPOSTA Onde histórias criam vida. Descubra agora