56. o aniversariante.

74 11 12
                                        

Pov'Meredith.




- ah Meredith, tá ficando tudo tão lindo.

- é bom ter uma equipe que consegue dar vida ao que você planeja.

- é muito bom - Carina concordou - e como foi na terapia?

- bom, eu acho que bom - dei de ombros - sabia que minha terapeuta te conhece? - fugi do assunto, não queria falar muito, nem contar que tentei fugir dela.

- sério?

- sim, falou que vocês fizeram o ensino médio juntas.

- qual nome dela.

- Maya, Maya Bishop - falei.

- Maya? - Carina refletiu por uns segundos - eu acho que lembro dela... Nossa eu não a vejo desde que terminamos o colégio.

- ela falou, mandou um "oi Carina" - contei dando uma risadinha.

- oi Maya - o sorriso da minha cunhadinha alargou - Maya, uau, que mundo pequeno.

- nem tanto assim... Vou falar que mandou um "oi Maya" para ela.

- ela tá casada? - Carina pareceu bem interessada.

- solteira, tem um filho de dezesseis anos... Se não se importa, posso dar seu número para ela - dei uma de cúpido, vai que as duas se acertavam.

- hum... Será que é uma boa ideia?

- eram amigas na escola, pode ser legal... E ela falou que só namora garotas agora, os homens dão muito trabalho - confidêncei a informação.

- errada ela não tá - Carina riu - tá, mas seja sutil... Tem meio que uma história.

- sutileza é meu segundo nome.... Conta a história.

- então, no terceiro ano ficamos mais próximas, até que um dia durante um trabalho na casa dela, nos beijamos, eu nem lembro direito o que estávamos fazendo, só que de repente ela me beijou, nem foi um beijo de "uau" mas eu nunca tinha beijado uma garota, então sai correndo... E depois disso fiquei estranha, fui boba, eu não percebi que havia gostado, na verdade eu percebi, só que não queria admitir então a evitei pelo resto do colegial.

- seu primeiro beijo homossexual.

- e heterosexual também... Nunca tinha sido beijada.

- que fofo - falei toda boba, porque eu estava achando aquilo muito romântico - vinte anos depois.

- sim... Bizarro né?

- destino, agora você é livre, está solteira, e ela também... Pode tentar descobrir o que não pode quando adolescente.

- você toda cúpido.

- eu só acho que merecemos ser feliz.

- você merece muito - Carina me deu um sorriso cheio de afeto.

- obrigada.

- me diz, ela tá gata?



;)




- falei de você para a Carina - contei no final da sessão, eu acho que aquela foi melhor, não levantei do sofá nenhuma vez, mas só falamos sobre a faculdade, sobre o haras e sobre meu trabalho, não deixei Maya entrar em nenhum assunto sobre o passado.

- ela lembra de mim?

- sim, mandou um "oi Maya" - me senti o verdadeiro pombo correio, dando recadinhos - perguntou se pode dar seu número, ou salvar o dela.

- claro - acho que Maya ficou feliz - pode me dar o dela?

Claro, assim ela garante que vão se falar logo, concordei, peguei na minha bolsa minha agenda e anotei o número.

A PROPOSTA Onde histórias criam vida. Descubra agora