Pov'Meredith.
- ah Meredith, tá ficando tudo tão lindo.
- é bom ter uma equipe que consegue dar vida ao que você planeja.
- é muito bom - Carina concordou - e como foi na terapia?
- bom, eu acho que bom - dei de ombros - sabia que minha terapeuta te conhece? - fugi do assunto, não queria falar muito, nem contar que tentei fugir dela.
- sério?
- sim, falou que vocês fizeram o ensino médio juntas.
- qual nome dela.
- Maya, Maya Bishop - falei.
- Maya? - Carina refletiu por uns segundos - eu acho que lembro dela... Nossa eu não a vejo desde que terminamos o colégio.
- ela falou, mandou um "oi Carina" - contei dando uma risadinha.
- oi Maya - o sorriso da minha cunhadinha alargou - Maya, uau, que mundo pequeno.
- nem tanto assim... Vou falar que mandou um "oi Maya" para ela.
- ela tá casada? - Carina pareceu bem interessada.
- solteira, tem um filho de dezesseis anos... Se não se importa, posso dar seu número para ela - dei uma de cúpido, vai que as duas se acertavam.
- hum... Será que é uma boa ideia?
- eram amigas na escola, pode ser legal... E ela falou que só namora garotas agora, os homens dão muito trabalho - confidêncei a informação.
- errada ela não tá - Carina riu - tá, mas seja sutil... Tem meio que uma história.
- sutileza é meu segundo nome.... Conta a história.
- então, no terceiro ano ficamos mais próximas, até que um dia durante um trabalho na casa dela, nos beijamos, eu nem lembro direito o que estávamos fazendo, só que de repente ela me beijou, nem foi um beijo de "uau" mas eu nunca tinha beijado uma garota, então sai correndo... E depois disso fiquei estranha, fui boba, eu não percebi que havia gostado, na verdade eu percebi, só que não queria admitir então a evitei pelo resto do colegial.
- seu primeiro beijo homossexual.
- e heterosexual também... Nunca tinha sido beijada.
- que fofo - falei toda boba, porque eu estava achando aquilo muito romântico - vinte anos depois.
- sim... Bizarro né?
- destino, agora você é livre, está solteira, e ela também... Pode tentar descobrir o que não pode quando adolescente.
- você toda cúpido.
- eu só acho que merecemos ser feliz.
- você merece muito - Carina me deu um sorriso cheio de afeto.
- obrigada.
- me diz, ela tá gata?
;)
- falei de você para a Carina - contei no final da sessão, eu acho que aquela foi melhor, não levantei do sofá nenhuma vez, mas só falamos sobre a faculdade, sobre o haras e sobre meu trabalho, não deixei Maya entrar em nenhum assunto sobre o passado.
- ela lembra de mim?
- sim, mandou um "oi Maya" - me senti o verdadeiro pombo correio, dando recadinhos - perguntou se pode dar seu número, ou salvar o dela.
- claro - acho que Maya ficou feliz - pode me dar o dela?
Claro, assim ela garante que vão se falar logo, concordei, peguei na minha bolsa minha agenda e anotei o número.
