77. A alta.

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Pov'Meredith.

- aqui - entreguei para ela um comprimido, fui até a geladeira e peguei o suco e um copo no armário - foram só duas, mas vai te deixar mal amanhã como se tivessem sido dez, vai sentir tudo, e não vai ser só culpa - quase ri. Estaria rindo se eu fosse só a irmã mais velha e não a pessoa que tinha que ser responsável.

- já tô sentido - ela me olhou e parecia enjoada - principalmente culpa.

- é bom sentir, enquanto lembrar disso, não vai fazer novamente - minha since6fii maldosa, tentei controlar ela.

- desculpa.

- desculpas só servem se você se arrepender de verdade, e não voltar a fazer - sentei diante dela - olha - suspirei - você só tem dezesseis anos, não precisa fazer essas coisas... Poxa.

Eu não estava realmente com raiva, era só frustração, principalmente medo por ela, por seu futuro.

- você está tendo a oportunidade de viver coisas que EU não pude, não estou jogando na sua cara, ou reclamando, só te mostrando uma realidade, aos dezesseis eu estava trabalhando, e você está podendo ir a festas - senti as lágrimas vindo, mas as contive  - e isso é maravilhoso, porque todo o esforço que venho fazendo é para que você realmente possa viver isso... Mas não quero que você faça essas... Merdas - minha voz era baixa, compassiva, no final acho que Thiago estava certo! Eu mudei - você vai ter tempo pra descobrir tudo isso, beber, até ficar bêbada, ficar de ressaca, eu só não quero que adiante as coisas, porque ainda for mais velha vai descobrir que perdeu mais do que ganhou.

Lexie não falou nada, só me olhava com aquele olhar cheio de culpa, o que era bom.

- você vai descobrir tantas coisas - acabei sorrindo - coisas que eu mesma só descobri recentemente ao lado de Andrew, não sobre sexo ou relacionamentos, mas sobre a vida, sobre poder ser você mesma, sobre poder beber até não aguentar mais, mas não ter medo, porque a pessoa que está com você vai te ajudar.

Fiz uma pausa, depois continuei.

- todas as vezes que falo sobre o que eu quero que você viva, e eu não pude viver, não é porque eu a culpo, porque estou me ressentido, é só uma verdade.

- eu sei.

- sabe também que eu só quero que seja feliz?

- sei.

- e que isso que você fez não é uma felicidade real...

- foi uma brincadeira, me desafiaram a beber, o Thiago pediu pra não fazer, mas... Eu queria....

- impressionar um garoto - adivinhei.

- sim.

- ah, Lexie - acabei rindo de verdade - eu não fiz besteiras na sua idade, mas eu já tive sua idade...vou falar uma coisa para você, uma que um dia falei para Andrew.

- o que?

- que eu tinha muitas ambições, que realmente gostava do dinheiro dele, e do que ele poderia me proporcionar, mas que nenhum dinheiro valia minha dignidade, por mais rico que ele fosse, ser diminuída, humilhada, ser rotulada ou qualquer coisa que me fizer menos do que lutei para ser, não valia...

- porque falou isso?

- porque Sam tentou me humilhar, e eu nunca aceitaria isso, eu hoje amo Andrew, mas ainda não aceito ser diminuída por ninguém, e se um dia voltar a me sentir assim, por mais que o ame, eu não ficaria.

- porque?

- porque, meu amor - toquei seu rosto - você vale muito mais do que isso, mais se um homem, e se ele precisa te fazer de objeto de diversão, acredite não vale apena.

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