9. A garota.

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Pov'Andrew

Não sei se Meredith achou que estava longe o suficiente, mas não estava, porque ouvi parte da conversa com o amigo. Mesmo assim, não perguntaria. Principalmente porque ela não falaria muito, e eu não queria estragar a nossa noite. Quando ela voltou, a encarei com um olhar inquisitivo e falei:

— Pode falar quando quiser ir.

— Ainda não. — Meredith sorriu de leve, o tipo de sorriso que tenta esconder um cansaço maior.

— Tudo bem na sua casa? Parecia importante. — Fiz uma pergunta vaga, só para me certificar de que ela queria mesmo continuar ali comigo.

— Está tudo bem... Lexie está sendo dramática. Sabe que fez besteira, agora quer se desculpar. — Pelo olhar dela dava para ver que as coisas não estavam exatamente bem. Mas ela não queria falar sobre isso, e muito menos resolver o problema agora.

— E você não quer desculpar ela.

— Ainda não. Me comparar com aquela... mulher que nos pariu foi demais. — Meredith bebeu um gole de vinho e soltou um suspiro baixo, abafado.

— Tudo bem. Já é noite... Está com fome? Podemos descer para comer... ou pedir algo. — Mudei de assunto. Preferia não me meter nos assuntos dela, mas também não queria que ela fosse embora ainda.

— Você escolhe. — Ela se esticou sobre meu corpo e pegou mais morangos da mesa. Acho que ela realmente gostava deles. Não era minha fruta favorita, mas talvez se tornasse.

— Se continuar comendo assim, não vai ter fome para o jantar. — Comentei só para provocá-la.

— Esses morangos estão apetitosos... e eu estou com muita fome. — Meredith parecia se deliciar com cada mordida, me provocando ao mesmo tempo. A segunda parte talvez fosse apenas impressão minha. Ou não. A verdade é que eu estava com mais fome dela do que de comida.

— O que acha de se arrumar e descer?

— Acho que prefiro comer aqui... escolher algo pra assistir... assim não preciso me vestir. — Ela se esticou mais uma vez e, dessa vez, eu tive certeza que estava me provocando.

— Sério. — Ela se ajeitou no sofá, fingindo inocência. — Vou acabar sem apetite.

— Melhor parar, então.

— Não dá. — Seu sorriso de boa menina me fez sorrir também.

— Vou pedir nosso jantar. O que você quer?

— Não sei o que tem no cardápio de hoje.

— Vantagens de ser o dono. — Comecei a me exibir, dessa vez totalmente de propósito. Era divertido ouvir ela me chamar de exibido. — Posso pedir o que quiser e eles fazem.

— Exibido.

Apenas ri abertamente.

— Então?

— Tá. — Ela pareceu pensar com mais atenção. — Quero um hambúrguer... com bastante queijo e bacon. Batata frita... hum... — Mais um momento de reflexão. — Será que eles conseguem fazer nuggets?

Fui totalmente pego de surpresa. Tinha certeza que ela pediria lagosta ou algum prato refinado, mas lá estava ela pedindo fast food.

— Acredito que sim. — Era difícil não sorrir. Pela primeira vez desde que conheci Meredith, ela parecia ter a idade que tinha. Uma menina.

— Então é isso.

— Ok. — Peguei o telefone e liguei para a cozinha do hotel.

Ligação on

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