86. A fraude.

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Pov'Andrew.

- você está proibida de carregar as caixas - anunciei antes de sairmos do carro.

- não tô inválida.

- mas tá grávida... Pode arrumar, mas não carregar - beijei o rosto dela e sai da caminhada, dei a volta e abri a porta para ela.

- eu não sou uma boneca de porcelana - ela falou com raiva.

- querida - ajeitei minhas mãos em seu rosto - você não vai carregar caixas, nem que eu te amarre para garantir isso.

- as vezes eu não te amo - ela bufou.

- eu te amo sempre - beijei ela.

- parem de pegação, tem muita coisa pra arrumar - ouvi a voz de Carina e a vi saindo do seu carro - agora eu entendi porque conseguiram enfiar um bebê na Meredith, mesmo ela tomando remédio... Vocês vivem se pegando.

- exatamente... - concordei - e eu faço isso porque não fico me incomodando com sua vida sexual com Maya.

- eu não falei nada - Maya fez uma careta - mas trouxe um presente de casa nova... Bom teoricamente não é casa nova... Mas é início de um novo ciclo.

- eu adoro presentes - Meredith bateu palminha - já que não posso carregar nada, vou olhar meu presente - a garota caminhou até Maya e pegou o braço dela para entrarem juntas.

- sabe que ela ta grávida e não inválida né?

- eu sei que ela tá com menos de dois meses de gestação, e não quero que nada possa causar complicações - falei baixo.

- sei... Você gosta mesmo é de mimar ela - Carina bufou.

- também - mostrei um sorriso amarelo.

Quando entramos na casa Meredith já admirava o presente, olhei tentando sabe tô que significava.

- o que é? - perguntei.

- uma réplica minimalista da obra de Antônio Canova - Maya respondeu como se não fosse óbvio, mas apesar de gostar de arte, eu não entendia muito.

- Eros e psiquê - Meredith colocou a estátua de mais ou menos uns trinta centímetros na altura dos olhos.

- quem é?

- Antonio Canova foi um dos maiores escultores neoclássicos europeus. A obra Eros e Psiquê retrata uma das mais lindas histórias de amor da mitologia grega: Psiquê era uma jovem lindíssima e muito admirada. Afrodite, a deusa do amor, tinha ciúmes da beleza da moça e ordenou que seu filho, Eros... - Meredith parecia nem se dar conta que Simplesmente havia ativado seu "merpedia", os olhos dela estavam fixos no objeto em suas mãos - o cupido - ela explicou - flechasse a jovem para que ela se apaixonasse pelo ser mais horrendo da face da terra. O que ela não esperava é que o próprio Eros se apaixonasse por Psiquê e não cumprisse a ordem. Num romance cheio de idas e vindas, terminam com a permissão de Zeus para viverem felizes para sempre no Monte Olimpo, desfecho muito raro entre os seres mitológicos.... Diga-se de passagem, ela finalizou - gosto de mitologia grega.

Eu já sabia disso, ela realmente adorava a Grécia.

- eu realmente adorei o presente.

- que bom.

Entendi direito? Aquele não era um presente para ao casal, era um presente para Meredith e sua mudança? Sim, porque eu não entendia muito de mitologia, mas ela sem dúvidas.

- Eros e Psiquê são o exemplo do amor que transcende tudo - Maya me encarou - o amor que supera os mais difíceis momentos.

- gostei do presente - afirmei - obrigado.

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