107. A Revelação.

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Pov'Andrew.



Depois de vinte anos cuidando de hotéis você aprende muita coisa, ouve muita coisa e entende de muita coisa, principalmente entende sobre alianças, aprende que se não tiver cercado com os melhores o seu esforço pessoal não servira de nada, entendi isso logo no início quando sem conhecimento Carina e eu contratamos uma empresa para fornecer carnes, os produtos que nos era entregue não tinham a mesma qualidade do que pedíamos, e assim vários clientes tiveram intoxicação.

Foi minha primeira lição, você nunca vai conseguir sozinho, não importa o quanto dinheiro tenha, sempre vai precisar de alguém, nem que seja pra limpar sua bagunça, por isso sempre cativei meus amigos com lealdade, e recebi a recompensa quando perdi os hotéis, e em tantos outros momentos, e era por isso que me agradava ter vínculos com Gabriel Sloan.

Era por isso que eu estava calado todo esse tempo, apenas esperando a justiça ser feita, porque aprendi que nem tudo está sobre meu controle, e aquela era uma das coisas que teria que apenas esperar, mesmo sendo difícil, mesmo quero ir atrás de Victor Belo e a corja que ele chama de família.

- Andrew? - ouvi a voz que não ouvia a muito tempo, ia fechar a porta do meu escritório no império, virei só para confirmar o que eu já sabia.

- Léia.

- essa manhã recebi uma notificação de para depor - ela mostrou o envelope.

- todos receberam - murmurei.

- você não cansa de me humilhar... Você me usou para vingança - ela caminhava devagar na minha direção, uma risada quase histérica saiu por seus lábios - você sabia que eu era apaixonada por você muito antes daquela noite.

- não tinha certeza - murmurei.

- você tinha sim, você sabia, sabia que sim - sua voz subiu um tom - chega de se fazer de tolo, eu não sou uma tonta...

- não faz diferença, eu nunca teria nada com você casado.

- mas me usou, me usou para revidar a traição de Sam, o pior eu achei que depois daquela noite finalmente você seria meu - ela voltou a falar baixo - eu esperei, mesmo quando soube de tudo.

- como assim? Do que você está falando?

- sabe, para um homem tão inteligente nos negócios, você é bem idiota quando diz respeito a mulheres... Eu sabia que Sam tinha um caso - ela riu.

Que porra!

- eu descobri pouco antes de você, estava com eles na casa do tio Victor, você ligou perguntando que horas ela voltaria, ela falou que dormiria lá com os pais, porque a titia estava doente - Léia riu, mas via as lágrimas descendo por seu rosto - mas logo depois falou aos pais que precisava ir... Subiu dizendo que ia ao banheiro, também me despedi e fui atrás dela queria saber aonde iria... Então eu vi - outra risada, Léia não parecia bem, parecia descontrolada.

- então?

- umas quadras depois ela parou perto dos prédios residenciais, um cara entrou e a cumprimentou com um beijo, foram para uma casa um pouco afastada.

- então você sabia!

- sim, eu juntei provas...

- foi você.

- até que não é tão burro - ela gargalhou - era minha chance, era a minha vez de ser feliz... Era pra você terminar tudo e ficar comigo - a voz compassada dela se alterou.

- Léia.

- não - ela gritou - estou farta de esperar, eu.

Olhei por cima do ombro dela e vi Carina se aproximando, ela parou de andar e ficou meio que escondida atrás do lado de fora.

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