73. O afilhado.

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Pov'Meredith.

Sabe quando você tem que deixar todas suas emoções de lado, porque outra pessoa precisa de você? Era isso que eu sentia agora, sabia que o que eu estava sentindo era quase uma bobagem, nem se comparava ao nervosismo de April, então depois eu pensaria no drama da ex mulher e na raiva que sentia dela.

- Meredith, finalmente - April sorriu ao me ver entrar no quarto.

- como estamos? - perguntei.

- cinco centímetros de dilatação... Muita dor e Jackson surtando - ela sorriu.

- Andrew vai acalmar Jackson, e você?

- preciso andar, mas não muito, esse menino só pode sair depois da meia noite.

- vamos tentar fazer acontecer - estava rindo da expressão torturada dela.

- me conta algo... Qualquer coisa - ela me pediu aflita.

- também estou cogitando homicídio - falei a meia voz.

- o que Andrew fez?

- ele casou com aquela vaca - minha voz saiu frustrada, era realmente frustrante.

- o que Sam fez dessa vez? Espera, não fala - April segurou na cama e arfou.

Segurei seus ombros até a contração passar, eu acho que um novo medo estava sendo desbloqueado (o medo do parto).

- ok, estão ficando mais fortes... Agora conta.

Ela pegou minha mão quando ofereci, começamos a andar pelo quarto.

- ela parece uma praga, ligou para ele pela manhã, não sendo suficiente esbarramos com ela no shopping, e tive que ouvir ela revoltada por que EU ganhei a aliança de família. Não satisfeita foi até a casa dele implorar pra não casar comigo.

- que merda - April me olhava triste - vocês estão bem?

- não, eu estou com raiva, não dele, mas não sei reagir.

- não deixa isso ser maior que o necessário, Sam sempre vai estar a espreita, mas Andrew te ama e escolheu casar com você... Às vezes algo pequeno pode se tornar grande, e ela não merece toda essa glória.

- certo, não vou deixar - sorri para ela.

;)

Olhei a hora no relógio já era quase meia noite April estava com sete centímetros de dilatação, parecia que as horas haviam voado, Jackson e Andrew ficaram entrando e saindo do quarto, toda vez que ele ficava nervoso April o expulsava. Mas eu sabia que ela realmente precisava dele naquele momento, logo chegaria o momento e eles tinham que estar juntos.

- vou sair para comer com Andrew, ele deve estar com fome... Tudo bem?

- sim, acho que preciso do Jackson agora.

- eu tenho certeza, falta pouco... E Andrew não vai mais poder se gabar que o afilhado nasceu no dia do aniversário dele.

- ótimo. Pode ir, eu não vou mais matar meu marido.

- mas não vou embora, vou estar aqui esperando meu afilhado nascer.

- obrigada.

Abri a porta e os dois levantaram ao mesmo tempo e me olharam preocupados.

- April quer que fique com ela.

- sério?

- sabe que ela só está nervosa, mas está tudo indo bem, é só segurar a mão dela e falar coisas boas... Sei lá, canta uma música que ela gosta, conta uma história, uma ideia para depois do parto... diz que ama ela, ou só segura a mão dela para saber que está ali.

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