61. A terapia.

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Pov'Meredith.

Sentei em um dos sofás da sala, não o mesmo de sempre, Thatcher e Lexie estavam nele, sentei no outro, era bobagem, o sofá era grande o suficiente para nós três, mas eu não me sentia confortável.

- Meredith, não quer sentar com eles? - Maya sugeriu.

- estou bem aqui - falei.

- ok. Lexie e Thatcher já sabem como isso funciona, não estamos aqui para acusar, nem falar quem está certo ou errado... Vamos pontuar momentos, e falar do que precisa, independente de quem errou.

- então o que eu faço? - perguntei.

- sabe que converso com os três separadamente.

- cada um fala de coisas que aconteceram... Você e Lexie me contaram situações, Thatcher me falou do que sente... Aqui vocês podem falar um para o outro.

- eu não quero falar - murmurei.

- Lexie?

- eu quero falar que ... Eu sinto muito por ter te magoado, Meredith - minha irmã me olhou - eu sei que já falei isso, mas eu não sei se falei o suficiente, porque eu estava errada, e mesmo que estivesse certa não tinha o direito de julgar suas escolhas, porque você sempre cuidou da gente.

- obrigada - sorri um pouco.

- Thatcher?

- eu lembro do dia que Ellis falou que estava grávida, eu lembro que foi um dia maravilhoso, o dia que você nasceu... Eu me senti realizado, tudo o que eu desejei pra você - Thatcher me olhava com um olhar cheio de amargura - tudo o que eu desejei foi que você fosse feliz, filha.

Ele ficou em silêncio, ninguém falou nada amor um tempo, parecia que ninguém respirava, até ele voltar a falar.

- ainda lembro de como me senti quando cheguei em casa e ela havia partido, de como me senti ao ler a carta que ela deixou, lembro do vazio que ficou, mesmo ela tendo feito tudo o que fez, eu amava ela.

- mas eu era uma criança - minha voz mal saiu.

- Meredith - ele se moveu como se fosse levantar, mas algo que viu em meu olhar o paralisou - eu sei que destruí sua infância, que roubei ela de você, eu não espero que me perdoe, agora ou algum dia, não sei se eu serei capaz disso... Porque hoje vejo que não só roubei sua infância, mas que a feri todas as vezes que voltei pra casa bêbado, que torturei você todas as vezes que sai e te deixei sozinha com sua irmã... Que errei como pai por não estar presente verdade, não imagino como foi para você ter que cuidar de Lexie, e ainda ter que cuidar de mim, me sinto culpado por ter feito você passar por isso quando era só uma criança... Por não ter sido um pai de verdade.

- eu não posso - levantei, dessa vez não exitei na porta, eu realmente sai da sala, não conseguia ouvir, era demais para mim.

- Meredith - era Maya.

- não posso - falei sem parar de andar.

- Meredith só espera, você não pode sair assim.

Parei de andar mas não virei.

- ele reconhecer que errou não vai mudar o fato de que aconteceu, que eu sofri, que... Que nunca vou conseguir pensar na minha infância e não sentir tristeza, Andrew fala de filhos... Ele quer isso, e eu só sinto medo, porque não quero sentir esse medo que sentia com Lexie.

- Meredith, você não tem mais dez anos, e a vida não é mais como antes, a situação mudou, tudo mudou.

- mas não anula o passado, eu quero parar de pensar nele, de basear minha vida nisso... Mas não consigo.

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