Pov'Andrew.
– Gosto da sua companhia, você é inteligente, brincalhona, mas não é vazia – gostava de ser sincero com Meredith, de esclarecer pequenas coisas. Se ela fosse capaz de aceitar que seria a única, que ganharia muito, mas não poderia esperar amor, teríamos um longo caminho pela frente.
– Obrigada, gosto da sua companhia também.
– Se você quiser, vamos sair muitas vezes, e vou aparecer na sua casa, ou te ligar... Não posso prometer amor, mas terá a mim... Com a certeza de que não vou te enganar, porque odiei ser enganado.
Era melhor que prometer amor, como um acordo, uma boa proposta: eu ganho, ela ganha, ninguém se machuca.
– Não precisa me prometer amor – ela falou firme.
– Toda garota espera pelo amor.
– Toda garota que não descobriu que ele não é o mais importante na vida... Poderia falar que não acredito, mas eu acredito. Eu amo pessoas: meu pai, minha irmã, meu melhor amigo, e Hellen... Mas não é o mais importante pra mim – o tom dela era baixo, era verdadeiro. Não poderia afirmar que nunca mudaria de opinião, mas nesse momento ela era sincera.
– Sinto por isso.
– Não sinta, eu não sinto...
– Um dia vai sentir, acredite.
– Quando esse dia chegar, eu descubro o que faço – ela deu de ombros – não posso saber o que fazer até me deparar com esse momento, não vou sofrer por antecipação.
– Está certa. Então estou desculpado?
– Sim.
– Ótimo, agora posso te levar para meu quarto.
– Babaca – a gargalhada dela encheu o carro. Era um bom som de se ouvir. Atravessei o último sinal e segui para leste, entrando no estacionamento do delivery. Poderia sugerir irmos para o castelo, mas depois de a deixar esperando e desmarcar, esperaria para a ver nua em minha banheira.
– Às vezes sou – parei o carro ao lado da janela.
– Boa noite.
– Boa noite – a atendente falou.
– Quero dois hambúrgueres, três porções de batata e dois refrigerantes.
– Certo.
– Algo mais? – olhei para Meredith.
– Não, está ótimo...
– Ok... Apenas – entreguei o cartão – quando é seu aniversário?
– Meu aniversário?
– Sim, você sabe o meu.
– Sim, 17 de outubro... Acho que ainda te devo um presente.
– Não me deve... Obrigado mesmo assim.
– O pedido de vocês, obrigada, voltem sempre.
– Obrigado – entreguei tudo para Meredith – onde quer parar para comer?
– Não sei.
Ela já abria uma das sacolas de papel e pegava uma batata. Saí do estacionamento e segui para perto do museu. Depois dele havia o lago, seria um lugar tranquilo.
– Aniversário?
– Ahhh – ela pareceu ter esquecido – 25 de dezembro – por sua expressão, não gostava muito de fazer aniversário nesse dia.
– Sério?
– Sim, quase que me chamo Natália... Ainda bem que Ellis fez algo bom e colocou o nome da mãe dela em mim.
