82. A sugestão.

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Pov'Carina.

Entrei no quarto e Maya estava parecendo o deus Shiva, ia falar Buda, mas seria o país errado, ela estava alinhada, costas eretas, as pernas dobradas uma sobre a outra, as mãos na posição de lótus, seus olhos estavam fechados, sua respiração era calma, diferente da minha que era rápida, Maya meditava, estranhamente ela realmente gostava disso, tentou me fazer gostar, mas acredito que sou agitada demais para conseguir ficar tão parada quanto ela estava agora.

- porque está ansiosa? - sua voz me fez dar um pulinho de surpresa.

- eu só fui falar com Andrew de uma coisas que lembrei, sabe? Do que vimos hoje... Mas acho que interrompi o sexo deles - acabei soltando uma risada nervosa.

- pelo horário o acordaria ou realmente aconteceria isso - a voz dela ainda era seria, baixa e compassada, ainda de olhos fechados.

- você é muito linda - sussurrei ainda nervosa.

- você é mais - Maya abriu os olhos e me fitou - muito mais - ela falou sem sair da posição que estava.

- eu fui até o quarto deles... - voltei a falar nervosa.

- já contou essa parte - ela mostrou um sorriso doce.

- eu fui até lá porque tô nervosa, eu finjo para Andrew que sou de boa... Casamentos acabam e blá blá blá - suspirei - mas ter visto meu casamento evaporar foi horrível... E você simplesmente apareceu, de sei lá quantos psicólogos no mundo logo você estava lá com Meredith - arfei quase com raiva - caramba, tô fazendo errado.

- o que está fazendo errado? - ela ainda não havia saído do lugar, só suas mãos relaxaram sobre suas pernas, e seu sorriso brilhava genuíno.

- Andrew é mais firme no que quer, ele sempre foi assim... Eu tenho medo de aventurar, por isso demorei tanto para aceitar que meu casamento já estava falido a anos.

- cada um tem seu tempo, amor.

- eu sei... Tudo bem ter demorado, porque você apareceu, e vem me falar que se apaixonou por mim a vinte anos, que bizarramente sempre desejou me reencontrar... Você tem noção do impacto?

Estava realmente irritada.

- imagino.

- vinte anos, dentro de você morou um sentimento por vinte anos... E aí, eu não tive escolha a não ser te amar também.

- você tem, pode não me amar - ela falou no seu tom sempre calmo. Era engraçado como éramos opostas, ela sempre calma, eu sempre agitada, e de alguma forma isso dava certo.

- você não entendeu, eu não tenho, porque como seria tão estúpida ao ponto de não querer te amar todos os dias?

- Carina - parecia que ela começava a entender minha loucura.

- Meredith falou de um tal de psicólogo não sei das quantas que fala do triângulo do amor.

- Robert Sternberg - Maya quase gargalhou.

- esse aí mesmo... Ele fala que tem que ter intimidade, paixão e compromisso...

- é muito interessante o que ele fala, posso te explicar.

- depois - bufei, e ela riu.

- ok - Maya se ajoelhou na cama e depois levantou - porque gostou tanto dessa interpretação dele?

- bom, eu não entendo nada de psicologia e comportamento humano e essas coisas muito profundas, eu entendo de hotéis, do que fazer para agradar uma pessoa.

- você sabe mesmo - seu sorriso de lado me fez soltar uma risada sem jeito ao entender - mas você estava falando da tríade do amor.

- sim, desculpa, tô nervosa.

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