122. O incoveniente.

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Pov'Andrew.




– Vou voltar para a festa – Antony murmurou quando pedi para que ele ficasse.

– Queria conversar com você – pedi. – Não vai levar mais que cinco minutos.

– Tudo bem. – Ele me seguiu até o escritório. Quando entramos, fechei a porta.

– Sabe que gosto de você.

– Sei – ele me olhou desconfiado.

– Filho, não sei bem o que aconteceu entre você e o Thiago. Ele não detalhou, mas eu sei que agora ele está com a Laura.

– Vai defender ele? Claro que vai, é seu filho.

– Não, não estou defendendo. Estou colocando pontos importantes... Vocês tinham um acordo, ou seja lá o que era - senti meu rosto retorcer com aquilo, nunca entendi exatamente o que eles tiveram - Pelo que entendi, você quebrou esse acordo.

– Eu me arrependi. Achei que ele ia me procurar e brigar, e eu poderia falar que fui um idiota dos grandes... Mas ele não foi. – Antony sentou no sofá, parecendo frustrado. – Pra mim isso é novo.

– Para ele também... E, conhecendo o Thiago a vida toda, eu sabia que ele não iria. Ele é como eu... Não faço briga, não questiono esse tipo de coisa, apenas me retiro. E ele sentiu o peso da traição da mãe. Nunca seria a favor, e, se fosse, saberia que errei como pai.

– E o que eu faço? – ele me olhou triste; dava para ver que segurava as lágrimas.

– Beijar ele não vai ajudar, só o deixará com mais raiva. Mas, se quer resolver isso, tenta conversar. Pode não ter o garoto de volta, mas não perderá o amigo também.

– Desculpa.

– Comigo está tudo ótimo... Mas sei que gosta do meu filho, e ele gosta de você. Porém, quando se afastou, deu oportunidade para outra pessoa o conquistar – e aconteceu. – Tentei sorrir. – Mas ainda pode ter um amigo.

– Obrigado. – Ele levantou e sorriu também.

– Sempre que precisar, pode conversar comigo. Afinal, somos família agora.

– Obrigado, novamente.

Deixei ele ir embora e, depois, segui também para o jardim. Sabia o quanto, quando se é jovem, você pode estar confuso. Vi Thiago ter medo por sua sexualidade, o amei independente de quem seria a pessoa. Estava feliz por ele estar namorando uma garota, não por não o aceitar com um rapaz, ou por achar errado, mas porque sei que as pessoas não são tão bondosas. Vi, em primeira mão, meus amigos sofrerem constantemente por estarem juntos. Levaram anos para conseguir adotar uma criança que merecia um lar e ser amada, independente da sexualidade dos pais – mas, por serem homossexuais, isso teve mais peso que a estabilidade financeira deles.

Não me importaria se fosse um garoto que ele decidisse apresentar. Mas, por amar ele e desejar que ninguém o machucasse, me sentia feliz. Talvez fosse visto com maus olhos, mas é assim que o mundo funciona. Olhei Thiago jogando com a namorada, Mark e Lexie. Antony estava perto da mãe. Seria difícil restabelecer aquela amizade, mas sabia que, na hora certa, aconteceria.

– Tudo bem?

– Comigo sim. Depois te conto as novidades. – Sentei ao lado de Meredith e beijei seu rosto, depois beijei sua barriga e nossa filha. – Meus amores.

– Ele tá feliz – Meredith murmurou, olhando para Thiago. – Ele gosta dela.

– Gosta. Tá estampado na cara dele...

– Aposto que, em breve, ele vem pedir pra ela dormir aqui – ela sussurrou, confidente.

– Por que acha isso?

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