12. O castigo.

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Pov’Andrew.

Gostava dessas viagens curtas com Thiago, sempre foi nossa forma de manter nossa ligação. Aproveitávamos feriados, férias e finais de semana para viajar juntos, fazer coisas de "homem", como assistir ao máximo de jogos possível. Levava ele a um bar legal, mesmo ele não bebendo ainda, comprava uma cerveja sem álcool e ficávamos assistindo ao jogo no telão, ou íamos a algum show de alguma banda que ele curtia. Depois da separação, isso pareceu ainda mais importante.

— Valeu pela viagem.

— Próxima folga da escola vamos até Seattle.

— Legal...

— Andrew, filho — Sam surgiu saindo da cozinha — senti sua falta — ela abraçou nosso filho — e você?

— Eu? O que tem eu?

— Fica para o jantar?

— Não posso, já marquei de jantar com Levi e Nico... e uns amigos.

— Que pena. Amanhã?

— Já tenho compromisso amanhã — com Meredith, e não iria desmarcar.

— Sério?

— Sim, está marcado desde segunda. Já vou indo, filho — dei um abraço nele.

— Tá, valeu, pai.

— Tchau, Samantha.

Saí de casa antes que ela decidisse reclamar por eu lhe chamar assim. Estava rindo porque sabia que ela não gostava de ser chamada pelo nome, e eu nunca a chamei assim em todos os anos que estivemos juntos. Entrei no carro e segui para o castelo, precisava de um banho e encontrar os caras no bar. Se não tivesse combinado esse encontro há semanas, e não fosse aniversário do meu melhor amigo desde a faculdade, eu cancelaria e remarcaria meu jantar com Meredith.

Mas não fiz. Me preparei para encontrar todos e segui em direção ao meu destino, agora arrumado para uma noite de homens de verdade. Entrei no bar que Levi marcou, gostava do lugar. Era frequentado em sua maioria por pessoas solteiras, ou grupos de amigos em uma noite sem as esposas. As poucas mulheres que iam ali sabíamos que eram garotas de programa, ou mulheres muito independentes, que não se importavam com o que alguém ia pensar e queriam só algo casual, como a maioria dos homens ali. Mas não aquele grupo. Aquele grupo não ia ali em busca de algo casual. Levi, que estudou administração e morou no castelo na sua época de "república", era casado há nove anos com Nico, que era advogado — meu advogado, por sinal. Jackson, que também chegou a morar no castelo na época da faculdade e era médico, conheceu April lá, e casaram há cinco anos, depois de mais de seis anos de namoro. E Owen, que também era médico, morou no castelo, e não era casado. E agora eu, o recém-divorciado. Um grupo bem estranho, mas eram todos boas pessoas e bons amigos.

— Ele apareceu — Levi comemorou. Foi o primeiro a levantar e me cumprimentar com um abraço. Depois, todos fizeram isso.

— Falei que vinha — acenei para o garçom — mais uma rodada de chope, e não deixa faltar. Hoje eu pago.

— Assim que eu gosto — Nico aprovou.

— Só porque não tive tempo de comprar um presente, eu pago a conta.

— Sabia que tinha algo — Levi gargalhou — então não deixa faltar — ele pediu ao garçom.

— Claro — o cara saiu rindo.

— Novidades? — perguntei.

— Owen tá de rolo — Jackson se adiantou.

— Sério? Quem é a coitada? — brinquei.

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