Cap. 21 Se eu baixo a guarda você entra e nunca mais sai

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O dia ainda estava terminando de clarear, separei algumas roupas na mala e a Érin fez o mesmo, colocando a boneca de pano na mala junto de suas coisas. Não entendo ainda porque uma mulher com vinte e três anos precisa tanto de uma boneca de pano para dormir, desde que casamos ( embora sejam só dois dias) não vi a Érin dormir sem essa boneca, até mesmo ontem quando a encontrei dormindo no sofá, ela estava agarrada a essa tal boneca. Quem vai entender as mulheres.

- Está pronta? - digo encostado a porta do banheiro, admirando-a enquanto ela penteia os cabelos molhados diante do espelho.

- Privacidade não existe nessa casa né? - dizia sem olhar para mim, completamente focada na imagem diante do espelho.

- Você só esta penteando o cabelo, até parece que é crime olhar uma mulher enquanto ela se penteia.

É divertido o jeito como ela reage a minha aproximação, gosto desse jeito bravinha dela.

- É crime quando a mulher em questão não quer ser observada. - Diz fechando a porta na minha cara.

Travo a porta com o pé a impedindo de fechá-la, não resisto e caio na gargalhada, fazendo com que ela me lance um olhar desaprovador.

- Desculpe é que você fica muito linda quando fica nervosa.

- Você é um idiota. - diz voltando ao espelho.

- Adoro esse seu jeito.

- Você adora me irritar é diferente. - e continua a mecher nos cabelos.

- Que seja. - me aproximo e paro atrás dela, deixando um beijo em seu ombro - mas eu adoro esse seu jeito toda irritadinha. - deixo outro beijo, dessa vez em seu pescoço. - Você se tornou uma mulher linda. - sussurro em seu ouvido.

Ela se vira de frente para mim e me encara seria.

- Pode parar, se você começar eu não vou a lugar nenhum.

Era ainda mais bonita quando estava brava. Eu sorri divertido e apenas aproveitei a perfeição do momento, ela estava ali na minha frente, emburrada e linda, tudo tão natural, ela arrumando o cabelo e eu já arrumado esperando a minha mulher para sair de casa. Ela como sempre mais baixa do que eu, é inevitável olhá-la sem desviar para seus lábios, tão rosados e tão macios, lembro quantas vezes desejei beijá-la quando adolescente. Talvez eu devesse ter beijado, a gente podia ter namorado escondido e talvez ela não me odiasse tanto agora. Ela me olhava séria e parecia ainda mais brava por eu estar sorrindo, eu não sei ao certo se ela está mesmo brava, ela me olha diferente, não é o mesmo jeito de quando ela esta com raiva.

Érin

Eu odeio quando ele chega tão perto, desde aquele dia no estacionamento que não consigo tirá-lo da minha cabeça. Quando ele me olha assim tenho medo do que sinto. Sinto falta da nossa amizade e queria mesmo que essa viajem fosse só um reencontro, mas se eu baixo a guarda ele entra e nunca mais sai. Nunca vou esquecer o que ele me fez, mas assim tão perto tudo que sinto é uma vontade imensa de beijá-lo outra vez. Nem sei ao certo se a minha vontade é de beijá-lo, mas quando ele se aproxima assim o meu corpo inteiro reage, sinto por muito tempo depois cada toque dele, o cheiro dele parece ficar impregnado em mim, ouço ainda sua voz em meu ouvido. Não estou brava por ele ter me tocado, estou brava porque por mais que eu não queira não consigo evitar essas reações no meu corpo. Eu quero tocá-lo e isso é tudo muito novo pra mim, desde os meus treze anos que não sinto vontade de tocar em outro homem. Por mais que eu o odeie tenho vontade de saber o que vou sentir quando eu tocar o Erick, mas tenho medo de sentir o mesmo que sentia a dez anos atrás, porque ai eu me entrego pra ele e nunca mais eu vou querer outro homem.

Entre o amor e a vingançaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora