Cap. 18 O seu pai ainda te bate não é?

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O Erick nunca foi de desistir fácil e agora sei que pelo menos nisso ele não mudou. Ao se afastar de mim ele pega em minha mão e me leva de volta para a varanda. Todo cavalheiro, ele puxa a cadeira para que eu me sente e eu o faço, em seguida ele senta- se a minha frente e me serve o café. Até então eu não tinha parado para olhar a bandeja, tinha tudo que eu gostava, frutas, biscoitos, torradas, suco de laranja e iogurte, fiquei imaginando se o suco de laranja era porque ele ainda se lembrava que era o meu favorito e se ele ainda lembrava o quanto eu sou louca por iogurte.

- Tem comida pra um exército nessa bandeja. - falo um pouco menos na defensiva e quase sorrio diante a falta de jeito em preparar o café da manhã pra dois.

O Erick fica um pouco sem jeito mas acaba sorrindo.

- Eu não sabia se você comia pouco ou muito no café então resolvi arriscar.

- Eu não como tanto assim e você esqueceu da geléia, torrada sem geléia não tem graça.

- Eu vou buscar, desculpa eu esqueci que você não come torrada sem geléia. - disse já se levantando da mesa.

Coloquei minha mão em cima da dele a fim de pará-lo, parecia divertido ele tentar tanto me agradar, mas eu não faço questão de geléia. Era só um jeito de dizer que eu não estava satisfeita.

- Não precisa. Eu não faço questão de geléia.

O Erick ficou olhando para mim e me fez lembrar o tempo em que éramos amigos, por algum motivo não consigo fugir dele agora, em outra época eu não teria deixado ele se quer ter se aproximado de mim, mas hoje depois daquele abraço fugir é impossível. Por mais dolorido que seja eu olho em seus olhos. Doi. Doi quando ele vê através do meu olhar que eu ainda estou com vergonha, doi porque sei que ele vê mais do que eu quero mostrar. Minha mão ainda esta sobre a dele e ele mantém seus olhos fixos nos meus e sorri, não um sorriso vitorioso, mas um sorriso amigo. Olho para ele e vejo o menino de quinze anos pelo qual me apaixonei, involuntariamente um sorriso nasce em meus lábios e tudo que quero é voltar no tempo e reviver um dia qualquer daqueles em que eu era feliz. Mas ao mesmo tempo as lembranças se fazem vivas em meus pensamentos e revivo toda a dor que senti quando soube que o Erick havia saido da cidade. Em poucos minutos tudo de bom que eu sentia deu lugar ao sofrimento, dor é tudo o que sinto agora, não quero mais os olhares do Erick e não quero mais essa proximidade entre nós. Rapidamente retiro minha mão de cima da dele e abaixo os olhos. Não quero ser tocada e se eu pudesse fugiria até mesmo do seu olhar.

- O que houve?

Silêncio...

- Érin olha pra mim, me diz o que houve.

- Nada. - respondo seca.

Pego alguns biscoitos e o suco de laranja e começo a comer, não quero falar com ele. Na verdade só quero terminar logo o café pra ver se o Erick me deixa em paz.

- Qual o problema princesa?

- Você.

- Eu?

- Não gosto do jeito como você olha pra mim. - digo ainda sem olhar para ele.

- Na verdade não é o jeito como eu te olho que te incomoda, você só está incomodada porque eu estou olhando pra você e vejo mais do que você quer mostrar.

Fui pega de surpresa, não esperava a resposta. O Erick nunca foi muito de aceitar perder e pelo jeito nada mudou. Mantenho os olhos fixos no copo de suco a minha frente e mesmo sem vontade e sentindo o estômago revirar continuo a comer o biscoito como se ele não houvesse dito nada.

- Érin seja sincera, o seu pai ainda te bate não é?

Todo copo só precisa de mais uma gota pra transbordar e pra mim a pergunta do Erick foi a gota que faltava. Jogo o guardanapo em cima da mesa e me levanto.

Entre o amor e a vingançaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora