Cap. 89 Amor, raiva ou vingança?

804 51 13
                                        

Essa noite foi difícil de dormir, todas as vezes em que pregou os olhos sonhou com ele. Todas as vezes doeu olhar para ele, nenhum sonho bonito, nenhuma lembrança bonita. Só os dois num lugar sombrio, um olhando para o outro, foi a primeira vez que sentiu medo ao sonhar com ele. Quase não dormiu e por isso assim que o dia clareou saiu para caminhar, não fosse por isso ele talvez não a encontrasse agora. A cabeça a mil por hora, a lembrança daquele beijo viva na memória, imagem que não sai da cabeça por nada. Já era perto de dez horas da manhã, com fome e cansada talvez dormisse um pouco agora. Talvez. Não fosse o susto de chegar ao hotel e encontrar aquele homem na recepção, não precisou vê-lo de frente, de costas ela sabia que era ele, pensou em voltar, sim ia voltar, ele ainda não a viu. Calculou a distância, se dava para sair sem ele notar sua presença, mas não adiantava muito, se estava ali é porque sabia que ela estava hospedada, hora de ir embora, pensou. Mas ele é o traidor, foi ele quem a machucou, porque é ela quem foge? É, ela sabe a resposta, só fugiu porque mesmo depois de tudo ele ainda quis controlar a vida dela, não deixou o motorista com cara de capanga (que agora era amigo) levá-la para longe, queria ela em casa, naquela posição cansativa de cachorrinho no portão. Foi só porque não lhe deram a chave do carro que ela fugiu. Quando se viu no táxi sem rumo e vontade nenhuma de voltar para casa é que decidiu fugir de verdade, sabia que podia. Tinha um cartão milionário na bolsinha de mão, dinheiro e os documentos necessários, pagou bem mais caro do que devia naquele carro zero kilometro  por falta de documentos e se arrependeu por não ter comprado um carro de segunda mão, mas já ouviu falar muito que carro de segunda mão pode ser um mau negócio, não entende nada de carro, então um carro zero atendia melhor as suas necessidades. Ela queria um carro de fuga e não uma carroça que a deixasse no meio do caminho.

Segura de mais para pensar em voltar, não esperava encontrá-lo ali. Tanto não esperava que o corpo travou quando o viu, saudade e raiva tudo misturado. Teria ido embora com sucesso não fosse pela recepcionista fofoqueira que a viu chegar. Nunca vai saber que ele só a encontrou porque a menina a entregou, não viu quando ela sussurrou quase sem mexer os lábios.

- Eu perco o meu emprego se você disser que eu te dei essa informação, mas a mulher que o senhor procura está atrás do senhor.

Quando ela achou seguro sair ele olhou para trás. Dois pares de olhos presos, ela ainda pensou se seria válido correr, não sabe porque, só quis correr, mas agora não adianta, o cartão e todo dinheiro que ela tem em mãos está no quarto. Fim da linha, ela voltou a ser só uma menina sem escolha. Caminhou até a recepção em silêncio, parou de frente para ele. Mesmo com aquela cara de cansado ele estava bonito.

- A gente pode conversar Érin?

Quando viu a carinha de assustada daquela menina calada que só lhe dirigia a palavra quando inevitável a recepcionista se arrependeu amargamente por ter passado a informação. Aquele homem apaixonado que chegou dizendo que precisava encontrar a mulher em nada se parecia com aquele homem parado diante de seu balcão de atendimento. Se era só um homem apaixonado no meio de uma briga de casal, então porque aquela mocinha parecia tão assustada e tão acuada? Violento ele não parecia ser, pelo menos aquela mocinha não trazia no corpo nenhuma marca de violência, e a recepcionista pensa isso porque não pode ver a alma da Érin e todas as cicatrizes que a violência do pai deixou.

- Vem a gente conversa no seu quarto.

Aquilo tanto para a Érin quanto para a recepcionista soou como intimação. Tanto que quando a Érin seguiu em direção ao elevador a mocinha da recepção a chamou.

- Senhorita Érin! - ela virou-se - Tem um recado para a senhorita.

A Érin voltou até o balcão e por sorte o rapaz não foi junto, ficou esperando de frente para o elevador.

Entre o amor e a vingançaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora